II Encontro Regional da Anpap Norte: Rondônia/RO
*Amazônia em retomada: o que faremos hoje para decolonizar o amanhã?*
O sopro de nossa vida vale muito mais! (KOPENAWA, 2015)
A maior floresta equatorial do mundo está desaparecendo a cada dia mais e mais; se transformando na fumaça que se expande aos céus. A iminência do colapso ambiental significa também um aumento da invisibilização dos sujeitos em contextos urbanos, ribeirinhos, rurais, quilombolas, tradicionais e dos povos originários. Acreditamos que isso seja a queda do céu que o xamã e líder político Davi Kopenawa se refere em seus escritos. Em busca de um progresso e desenvolvimento desenfreado, o “homem branco” ameaça constantemente os seres vivos e não vivos da floresta, com suas epidemias, violências e massacre epistêmicos resultados da colonização e continuados pela colonialidade do poder, do saber e da cultura, que colocam o eurocentrismo como perspectiva cognitiva europeia para os europeus e para aqueles que vivem sob sua hegemonia.
Deste modo, este II Encontro Regional da ANPAP NORTE, elaborado por pesquisadores e educadores conectados às universidades federais da Amazônia, organizado neste momento pelo estado de Rondônia, vem questionar o que faremos hoje para descolonizar o amanhã. De que modo, nossas pesquisas, obras de arte, processos curatoriais/museológicos e processos de ensino/aprendizagem podem se tornar ferramentas críticas e poderosas nesse processo de retomada cultural e identitária, levando conhecimentos e saberes cosmológicos para conquistas sócio-políticas-culturais?
Nesse sentido, acolhemos discussões sobre as visualidades amazônicas, sobre os aspectos artísticos e estéticos, que promovem a relação entre poética e múltiplas potencialidades impulsionadas no pensar/fazer/saber amazônico e narrativas acionadas nos atos de observar, registrar, descrever, criar, imaginar e compartilhar, permeadas por sentidos e sensibilidades, para tratarmos acerca de como vemos, esperamos pensar e sentir a Amazônia. Ou seja, apresentar e discutir a partir da produção de materiais sensíveis diversos, seja ele artístico, estético ou simbólico de modo colaborativo entre interlocutoras/es e o meio acadêmico.
Espera-se observar e refletir sobre as ações ordinárias e suas estéticas portáteis que contornam a vida, a sociabilidade e o imaginários dos povos da Amazônia. A ideia é confrontar sentimentos a uma patrimonialização e representação forjada da Amazônia como herança colonial, escravocrata e violenta que infelizmente ainda se faz sentir nos mais diversos tipos de patrimônios: coleções, sítios arqueológicos, centros históricos, museus e monumentos. Nesse sentido, indagamos: Quais as ações estéticas, artísticas e educacionais, desenvolvidas pelas pessoas que vivem na Amazônia em lutas por reconhecimento, visibilidade e justiça? Como se expressam as suas formas de contestações, emoções e reivindicações?
Assim, nos dias 05 e 06 de dezembro de 2022, de forma remota, traremos palestras com artistas regionais de forma a potencializar falas locais e trabalhos que muitas vezes são marginalizados em função dessa operação centralizada e hegemônica da arte. Além disso, contaremos com 5 mesas distintas sobre diferentes perspectivas de trazer o tema proposto:
1 - Perspectivas institucionais: é possível decolonizar o museu?
2 - Educação decolonial na formação docente nas artes visuais na amazônia.
3 - Transculturalidades poéticas no saber artístico amazônico.
4 - Outras histórias, narrativas e epistemologias possíveis
5 - Circuitos de arte na Amazônia: produção, difusão e acesso.
Lançamos aqui um convite: que a presença de todas, todos e todes neste encontro possa se tornar um local de confluências entre corpos, diversidades e saberes, e que possamos reverberar o Bem Viver como uma inspiração que nos permita sonhar com um futuro melhor na Amazônia, cheio de histórias para compartilhar e humanidades que reverenciem suas ancestralidades e memórias.
1 dia - 05/12 (das 14h às 18h):
14h – abertura com os organizadores (10 min) Pritama e Leandro
14:10 - 15h palestra de abertura: Marcela Bonfim (50 min)
INTERVALO
15:30h - 16:30 - comunicação oral (60 minutos) - MESA 1: Perspectivas institucionais: é possível decolonizar o museu?
17:00h - 18:00 - comunicação oral (60 minutos) - MESA 2: Educação decolonial na formação docente nas artes visuais na amazônia.
2 dia - 06/12 (das 14h às 18h):
14h – 15h - comunicação oral (60 minutos) - MESA 3: Interculturalidades poéticas no fazer artístico amazônico.
15:30h - 16:30 - comunicação oral (60 minutos) - MESA 4: Outras histórias, narrativas e epistemologias possíveis
17:00 - 18:00 - comunicação oral (60 minutos) - MESA 5: Circuitos de arte na amazônia: produção, difusão e acesso
Discentes e Pesquisadores em Artes Visuais
Discentes e Pesquisadores de outras Universidades, Professores de Artes, Artistas, Produtores Culturais, População em geral que tenha interesse no tema etc.
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