CAMINHOS PARA A INCLUSÃO: ESTRATÉGIAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO DAS OPERAÇÕES MATEMÁTICAS A ESTUDANTES COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL
Educação Inclusiva. Transtorno do Espectro Autista. Ensino de Matemática. Aritmética. Anos Iniciais do Ensino Fundamental.
Esta dissertação tem como objetivo investigar práticas pedagógicas inclusivas no ensino das operações matemáticas para estudantes com transtorno do espectro autista (TEA) nos anos iniciais do Ensino Fundamental, visando à elaboração de um guia prático para professores. A pesquisa caracteriza-se como qualitativa, do tipo interventiva, desenvolvida a partir de anotações em diário de campo e entrevista semiestruturada com dez professores que atuam nos anos iniciais do Ensino Fundamental no Centro Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental (CMEIEF) Escola Ruth Rocha e possuem experiência no trabalho com estudantes com TEA. A análise dos dados foi realizada com inspiração na análise temática. Os resultados evidenciam que as principais dificuldades no ensino das operações matemáticas a estudantes com TEA nos anos iniciais do Ensino Fundamental estão relacionadas à atenção e concentração, à interpretação de situações-problema e à aprendizagem de operações matemáticas mais complexas, como multiplicação, divisão e subtração com reserva. As falas docentes revelam que essas dificuldades não se restringem às características individuais dos estudantes, mas estão associadas a fatores pedagógicos, estruturais e formativos, como turmas numerosas, escassez de materiais adaptados, falta de tempo para planejamento e insuficiência de apoio humano especializado. No que se refere às práticas pedagógicas, os professores destacam o uso de materiais concretos, jogos, recursos visuais, personalização das atividades e, de forma complementar, o uso de recursos digitais como estratégias que favorecem a aprendizagem matemática dos estudantes com TEA. Além disso, os participantes ressaltam a importância da atuação articulada entre a sala comum e o atendimento educacional especializado (AEE), do envolvimento da família e da formação continuada docente para a efetivação da inclusão. A partir das contribuições dos professores, foi elaborado um produto educacional na forma de um guia prático de ensino das operações matemáticas a estudantes com TEA, com propostas acessíveis, aplicáveis ao cotidiano escolar, flexíveis e colaborativas. Conclui-se que a inclusão no ensino da matemática exige não apenas estratégias pedagógicas diferenciadas, mas também condições institucionais que favoreçam a mediação pedagógica intencional e o trabalho docente, contribuindo para a garantia do direito à aprendizagem dos estudantes com TEA.