TECNOLOGIA ASSISTIVA NO ENEM : O APOIO A ESTUDANTES COM TDAH-TRANSTORNO DO DÉFICT DE ATENÇÃO COM HIPERATIVIDADE
Educação Inclusiva; Tecnologia Assistiva; TDAH; ENEM; Avaliação Educacional.
A presente dissertação investiga as condições de acessibilidade e equidade oferecidas pelo Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) a estudantes com Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), com ênfase no uso da Tecnologia Assistiva como estratégia de inclusão educacional. Parte-se da compreensão de que, embora o ENEM preveja recursos de acessibilidade destinados a candidatos com necessidades específicas, como softwares leitores de tela e o apoio de ledor humano, tais medidas podem não ser suficientes para assegurar condições efetivamente equitativas de avaliação, considerando as particularidades cognitivas, atencionais, emocionais e organizacionais que caracterizam estudantes com TDAH.A pesquisa fundamenta-se nos pressupostos da educação inclusiva, da justiça avaliativa e do direito à igualdade de oportunidades, defendendo que a inclusão em avaliações externas de larga escala deve ultrapassar o simples acesso ao exame e contemplar a adequação dos instrumentos avaliativos às singularidades dos sujeitos avaliados. Nesse sentido, problematiza-se a padronização do ENEM e seus impactos sobre estudantes que apresentam dificuldades na leitura, na interpretação textual, na autorregulação da atenção e na gestão do tempo, aspectos diretamente relacionados às exigências estruturais da prova.Adotou-se uma abordagem qualitativa, de natureza exploratória e descritiva, tendo a pesquisa-ação como estratégia metodológica, por possibilitar a articulação entre investigação, reflexão e intervenção no contexto escolar. O estudo foi desenvolvido em uma escola pública de ensino médio no município de Rolim de Moura, estado de Rondônia, e contou com a participação de seis estudantes diagnosticados com TDAH, regularmente matriculados no ensino médio e candidatos ao ENEM.Os resultados evidenciam que, apesar da existência de políticas públicas voltadas à acessibilidade no ENEM, persistem limitações significativas quanto à efetivação da equidade no processo avaliativo para estudantes com TDAH. Constatou-se, ainda, a escassez de informações e orientações no ambiente escolar acerca dos direitos de acessibilidade no ENEM, bem como fragilidades no preparo pedagógico, emocional e institucional dos estudantes para avaliações em larga escala. Como produto educacional, a pesquisa propõe reflexões e orientações voltadas à ampliação das práticas inclusivas no ensino médio, ressaltando a importância da articulação entre escola, família, Atendimento Educacional Especializado e políticas públicas.