INFLUÊNCIA DA JUSTIÇA ORGANIZACIONAL NO CONFLITO TRABALHO-FAMÍLIA MEDIADA PELO ESTRESSE NO TRABALHO EM UM ÓRGÃO PÚBLICO
Justiça Organizacional; Estresse no Trabalho; Conflito Trabalho-Família; Tribunal de Justiça; Rondônia.
Ao longo do tempo, a literatura tem evidenciado, em diversos contextos, que a percepção de injustiça pode gerar estresse e, consequentemente, impactar o equilíbrio entre as demandas do trabalho e da vida familiar. Buscando compreender melhor essa tríade no contexto de uma organização judiciária, o presente trabalho tem como objetivo geral avaliar a influência da Justiça Organizacional sobre o Conflito Trabalho-Família, mediada pelo Estresse no Trabalho, no âmbito do Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia (TJRO). Considerando que os servidores técnicos do TJRO estão expostos a um elevado volume de metas e pressões laborais, investigar a relação entre justiça organizacional, estresse e conflito trabalho-família torna-se essencial para o aprimoramento da gestão de pessoas e para a promoção do bem-estar organizacional. A pesquisa possui natureza quantitativa, de caráter descritivo e explicativo, e foi conduzida por meio de survey, com a aplicação de questionário estruturado na plataforma google forms. A população foi composta por servidores efetivos do cargo de técnico judiciário do TJRO, e a amostra obtida foi de 310 questionários válidos. O instrumento de coleta de dados utilizou escalas previamente validadas na literatura, todas mensuradas por meio de escala Likert de cinco pontos. Após a coleta, os dados foram analisados com o apoio do software SmartPLS 4, empregando-se a Modelagem por Equações Estruturais (MEE), técnica que permitiu testar as relações entre os construtos e verificar o papel mediador do estresse no trabalho. Os resultados da modelagem demonstraram que a Justiça Organizacional apresentou influência negativa sobre o Conflito Trabalho-Família (β = -0,239), indicando que maiores percepções de justiça tendem a reduzir os conflitos entre as demandas profissionais e familiares. Contudo, diferentemente do previsto pela literatura, a Justiça Organizacional exerceu influência positiva sobre o Estresse no Trabalho (β = 0,620), enquanto o Estresse apresentou relação negativa com o Conflito Trabalho-Família (β = -0,171). Adicionalmente, o efeito indireto da Justiça Organizacional sobre o Conflito Trabalho-Família, mediada pelo Estresse, também foi significativo (β = -0,106). Os achados evidenciam que as particularidades institucionais do contexto investigado influenciam a dinâmica entre as variáveis analisadas, indicando que a percepção de justiça pode coexistir com elevados níveis de exigência e pressão por desempenho, ao mesmo tempo em que mecanismos de adaptação contribuem para reduzir a interferência do trabalho na esfera familiar. Conclui-se que a Justiça Organizacional exerce papel relevante na redução do Conflito Trabalho-Família, porém, sua relação com o Estresse no Trabalho mostrou-se distinta daquela tradicionalmente observada na literatura. Logo, os achados indicam que as relações observadas diferem parcialmente das previsões teóricas, evidenciando a influência do contexto organizacional sobre o comportamento das variáveis e demonstrando que o modelo constitui uma aproximação explicativa da realidade estudada. Dessa forma, o estudo contribui para ampliar a compreensão das relações entre justiça organizacional, estresse no trabalho e conflito trabalho-família no setor público, reforçando a necessidade de abordagens gerenciais e teóricas que considerem as especificidades dos ambientes organizacionais em que esses fenômenos se manifestam.