"A LEITURA DO MUNDO PRECEDE A CONTAGEM DO NUMERO: escrevivencias de uma educadora matematica de Ji-Parana/RO"
Identidade docente. Pesquisa narrativa autobiográfica. Educação Matemática. Consciência social
Este trabalho tem como objetivo investigar de que forma a pesquisa narrativa autobiográfica contribui para a compreensão da constituição da identidade docente e para a ampliação da consciência social de uma educadora matemática. A partir da produção de autonarrativas, foram selecionados e analisados momentos significativos da trajetória de vida da educadora que marcaram sua formação pessoal e profissional, impactando diretamente sua prática pedagógica no ensino de Matemática. O percurso metodológico está ancorado na abordagem qualitativa, com ênfase na pesquisa narrativa de cunho autobiográfico, que valoriza a experiência vivida como fonte legítima de conhecimento e reflexão crítica. As narrativas construídas revelam como vivências pessoais, sociais e formativas se entrelaçam na constituição da identidade docente, evidenciando o modo como fatores como gênero, classe social, territorialidade e relações interpessoais influenciam as concepções e escolhas pedagógicas da educadora. Além disso, o exercício da escrita de si possibilitou à docente não apenas resgatar e compreender sua trajetória, mas também ampliar sua consciência sobre as dimensões sociais e políticas do ato de educar, especialmente no contexto daEducação Matemática. Nesse sentido, a pesquisa reforça o potencial formativo da narrativa autobiográfica, tanto como ferramenta investigativa quanto como prática reflexiva e emancipatória, capaz de promover o autoconhecimento, o reconhecimento de saberes experienciais e a construção de uma prática pedagógica mais crítica, sensível e comprometida com a transformação social. Conclui-se que a escrita de autonarrativas constitui um caminho potente para a ressignificação da própria história e para o fortalecimento da identidade docente, contribuindo para a formação de educadores(as) que compreendem o ensino de Matemática não apenas como transmissão de conteúdos, mas como prática situada, ética e engajada com os sujeitos e realidades com os quais se relacionam.