ETNOMATEMÁTICA E DECOLONIALIDADE EM PESQUISAS DE ESTUDANTES INDÍGENAS DO CURSO DE LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO BÁSICA INTERCULTURAL DA UNIR (2015-2018)
Etnomatemática. Decolonialidade. Interculturalidade. Educação Escolar Indígena.
Esta pesquisa teve como objetivo analisar pressupostos de Etnomatemática e Decolonialidade presentes nos discursos de estudantes indígenas do curso de Licenciatura em Educação Básica Intercultural da Universidade Federal de Rondônia (UNIR). Para tanto, estabeleceu-se o seguinte problema da pesquisa: Como os pressupostos de Etnomatemática e de Decolonialidade emergem nos discursos de estudantes indígenas da UNIR, expressos em seus Trabalhos de Conclusão de Curso desenvolvidos na área de ciências da natureza e matemática da Licenciatura em Educação Básica Intercultural? Metodologicamente, utilizou-se procedimentos da pesquisa bibliográfica com abordagem qualitativa. A análise de dados baseou-se na técnica de Análise Textual Discursiva. A fundamentação teórica foi construída com base em autores que tratam de Etnomatemática, Decolonialidade, Interculturalidade e Educação Escolar Indígena. No levantamento de material bibliográfico, foram selecionados 9 TCC’s, que cumpriram o critério de ser em Etnomatemática na habilitação “Ciências da Natureza e Matemática Intercultural”, uma das quatro habilitações do Curso. Dentre os resultados obtidos, o primeiro é de que Etnomatemática e Decolonialidade apresentam convergência em alguns de seus pressupostos teóricos, e que os mesmos também, em certos aspectos, coadunam com os pressupostos de uma Interculturalidade Crítica. O segundo, é que os pressupostos das duas teorias (Etnomatemática e Decolonialidade) aparecem de forma implícita nos discursos sob análise e estão voltados para o conhecimento e reconhecimento da diversidade e das diferenças entre os grupos culturais distintos, da valorização dos conhecimentos originais de cada povo e da importância da interrelação (ou comunicação) entre indígenas e não-indígenas. Porém, não como questionadora das relações de poder promovidas pela colonialidade. Logo, os discursos dos estudantes indígenas dialogam mais com uma Educação Intercultural na perspectiva funcional. Entretanto, já se verifica nos TCC’s analisados a presença de práticas com pressupostos da Interculturalidade Crítica, o que indica um movimento com potencial para se passar de uma perspectiva de Educação Intercultural funcional para uma perspectiva de Educação Intercultural crítica, como projeto decolonial. Assim, concluímos que para haver a transição de uma perspectiva para outra, é necessário transcender do problema da diversidade ou da diferença em si, para o problema estrutural-colonial-racial, e tornar-se questionadora da sociedade atual, questionando os padrões de poder na busca de uma sociedade melhor para se viver. Ainda, que o caminho histórico para a transição de uma Educação Intercultural funcional para a crítica passa pela tomada de consciência, que compreendemos a partir do pensamento decolonial ser a “Consciência da Diferença Colonial” com pontos convergentes com a teoria Marxista de “Consciência de Classe” e com a teoria Freiriana de “Consciência Crítica”. Por fim, a Universidade Federal de Rondônia poderá reformular seu Projeto Pedagógico do Curso (PPC), e consequentemente, sua Matriz Curricular, deixando o curso de Licenciatura em Educação Intercultural com características mais aproximadas de uma Educação Intercultural Crítica.