UMA LEITURA SOBRE OS SIGNIFICADOS PRODUZIDOS POR ALUNOS DO ENSINO FUNDAMENTAL II DURANTE AS PRÁTICAS DE LEITURA E ESCRITA NO ENSINO DA MATEMÁTICA
Linguagem Matemática. Leitura e escrita na Matemática. Modelo dos Campos Semânticos.
Partindo do pressuposto de que a Matemática possui uma linguagem própria e, por sua vez, a leitura e escrita podem ser grandes aliadas nos processos de ensino e de aprendizagem desta linguagem e também do conhecimento matemático, e considerando ainda que a aprendizagem está diretamente relacionada à produção de significados, esta pesquisa tem como objetivo geral analisar quais significados são produzidos durante as práticas de leitura e de escrita no ensino da Matemática por alunos do Ensino Fundamental II de uma Escola Pública em Vilhena-RO. Na fundamentação teórica trouxemos discussões sobre: linguagem matemática tendo com principais suportes as obras de Machado (1998), Cunha e Silva (2019) e Vialli e Silva (2007); leitura e escrita na Matemática pautada principalmente em Luvison e Grando (2018), Lima e Noronha (2014), Lima (2017), Ferreira (2014), Smole e Diniz (2001) e Nacarato e Lopes (2009); alfabetização matemática, letramento matemático, numeramento e comunicação matemática ancorados nas obras de Danyluk (2002) e Fonseca (2009), bem como, em documentos como o PCN (BRASIL, 1997), a BNCC (BRASIL, 2017) e o relatório do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes – PISA (2012); e, ainda, as matemáticas da rua e da escola e os significados produzidos nestes espaços, tendo como suporte Schliemann, Carraher e Carraher (1995) e Lins e Gimenez (1997). No que tange aos procedimentos metodológicos utilizamos uma abordagem qualitativa e recorremos ao Modelo dos Campos Semânticos (MCS) (LINS, 1999; 2012), como estratégia para direcionar as ações da pesquisadora, bem como, ler os processos de produção de significados dos estudantes a partir dos resíduos produzidos por eles. Para a produção de dados foram desenvolvidas atividades como: ditados matemáticos, elaboração e resolução de problemas, leitura e produção de textos, glossário matemático, mensagem enigmática e outros. A partir destes instrumentos realizamos uma leitura plausível que buscou colocar em evidências as legitimidades constituídas pelos estudantes. Ao final foi possível constatar que os participantes se mantiveram coerentes ao longo de todas as tarefas realizadas, apresentando rastros que indicam que a Matemática geralmente era compreendida por eles apenas como algo quantificador, que a linguagem matemática causava estranhamento e interferia na realização dos procedimentos matemáticos, e ainda, o fato que, para execução das tarefas eram mobilizados os conhecimentos matemáticos tanto escolares quanto da rua. Com isso, apresentamos algumas reflexões quanto a importância de valorizar os conhecimentos dos alunos durante o processo de ensino, a relevância sobre o ensino da linguagem matemática e o incentivo das práticas de leitura e escrita nas aulas de Matemática.