Banca de DEFESA: MARIA DAS GRAÇAS MELO

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : MARIA DAS GRAÇAS MELO
DATA : 25/02/2026
HORA: 14:00
LOCAL: Auditório Ji-Paraná
TÍTULO:

O LUGAR DAS MENINAS NA MATEMÁTICA: GÊNERO, EXPERIÊNCIAS, SENTIDOS E APRENDIZAGENS NO ESPACO ESCOLAR PÚBLICO EM JI-PARANÁ-RO


PALAVRAS-CHAVES:

Educação Matemática. Gênero. Percepções de crianças. Educação Pública. Prática pedagógica.

 


PÁGINAS: 161
RESUMO:

Este estudo investigou as percepções de gênero no ensino e na aprendizagem da Matemática a partir das perspectivas de meninas estudantes dos anos iniciais do Ensino Fundamental de uma escola pública do município de Ji-Paraná (RO), mobilizado pela problematização histórica da invisibilização das mulheres na produção do conhecimento científico e seus efeitos no campo educacional. Nesse sentido, a pesquisa fundamentou-se nos Estudos de Gênero e na Educação Matemática Crítica, dialogando, sobretudo, com autoras e autores que compreendem o conhecimento como socialmente construído, tais como Judith Butler, Scott, Safiotti, Guacira Lopes Louro, Valerie Walkerdine, Ole Skovsmose, Souza e Fonseca, Paulo Freire, Casagrande entre outras contribuições que tensionam as relações entre poder, gênero, afetividade e saber escolar. O objetivo consistiu em identificar as percepções das estudantes acerca do ensino da Matemática, analisar estereótipos e barreiras de gênero que incidem sobre sua participação, engajamento e autoconfiança e compreender as práticas pedagógicas vivenciadas nas turmas investigadas a partir das vozes das próprias meninas. A investigação caracterizou-se como qualitativa e articula com a pesquisa narrativa com crianças. A produção das informações da pesquisa ocorreu, principalmente, por meio de grupos focais, compreendidos como espaços de escuta coletiva e diálogo, nos quais as participantes puderam compartilhar experiências, sentimentos e significações relacionadas às aulas de Matemática. Complementarmente, foram realizados momentos de conversa mediada e atividades de desenho, e escrita possibilitando acessar narrativas, gestos, silêncios e expressões simbólicas que fazem parte das vivências escolares das meninas. Os resultados evidenciaram que, para a maioria das participantes, a Matemática é percebida como um componente curricular não desejado, associado a sentimentos de angústia, frustração, medo de errar e sensação de incapacidade, percepções construídas ao longo de experiências marcadas por comparações, valorização da rapidez, exposição ao erro e discursos naturalizados que associam o desempenho matemático ao talento inato, frequentemente masculinizado. Observa-se que a relação das meninas com a Matemática não se limita ao domínio cognitivo, sendo profundamente atravessada por dimensões afetivas, simbólicas e relacionais, conforme apontam estudos que articulam gênero e educação. Em contrapartida, práticas pedagógicas pautadas no diálogo, na escuta sensível, no acolhimento, no trabalho coletivo e no uso de estratégias participativas contribuem para ampliar a participação das meninas, fortalecer sua confiança e promover sentimentos de pertencimento ao espaço do saber matemático. A pesquisa também evidencia a agência infantil, ao reconhecer que as meninas não apenas reproduzem discursos hegemônicos, mas os tensionam e ressignificam a partir de suas experiências. Conclui-se que as percepções das estudantes são construídas no entrelaçamento entre afetividade, práticas pedagógicas e discursos de gênero, indicando a necessidade de um ensino da Matemática mais comprometida com a equidade, com o reconhecimento das crianças como sujeitos de direitos e com a construção de ambientes escolares mais democráticos e sensíveis às experiências das meninas.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1461839 - JOSELIA GOMES NEVES
Interna - 2035958 - ELIANA ALVES PEREIRA LEITE
Interna - 2147056 - CARMA MARIA MARTINI
Externa ao Programa - 1804965 - EDNEIA MARIA AZEVEDO MACHADO - UNIRExterna à Instituição - ROZANE ALONSO ALVES - UFAM
Notícia cadastrada em: 25/02/2026 10:46
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