Banca de DEFESA: VITORIA FILGUEIRA

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : VITORIA FILGUEIRA
DATA : 02/06/2026
HORA: 09:00
LOCAL: meet.google.com/dnx-dxsf-thy
TÍTULO:

VIABILIDADE ECONÔMICO-FINANCEIRA DE CONSÓRCIOS AGROFLORESTAIS BASEADOS NO AÇAIZEIRO


PALAVRAS-CHAVES:

Modelos de uso da terra sustentáveis; Sustentabilidade; Cadeia produtiva; SAFs na Amazônia.


PÁGINAS: 74
RESUMO:

A Amazônia enfrenta desafios de desmatamento impulsionados pela expansão de pastagens, o que gera impactos ambientais significativos e reforça a necessidade de modelos produtivos que conciliem recuperação ambiental e geração de renda. Nesse contexto, os sistemas agroflorestais (SAFs) surgem como alternativa ao integrarem espécies arbóreas e agrícolas em um mesmo sistema produtivo. Considerando a necessidade de ampliar informações sobre a viabilidade econômico-financeira desses sistemas, este estudo analisa quatro consórcios agroflorestais baseados no açaizeiro, implantados em Porto Velho (RO). Para a análise, consideraram-se sistemas de 1 hectare para cada arranjo: SAF 1 – açaí, café, castanha-da-Amazônia e mandioca; SAF 2 – açaí, banana, cacau e mandioca; SAF 3 – açaí, andiroba e mandioca; e SAF 4 – açaí, cupuaçu, banana e mandioca. Realizou-se uma análise financeira ex-ante, baseada em resultados esperados, utilizando custos reais de implantação e estimativas de custos pós-implantação, produtividade e preços obtidas por meio de literatura, consulta a técnicos e projetos com experiência prática. A análise considerou um horizonte de 20 anos (2025–2045), com tabulação dos dados em planilhas do software Excel. Foram calculados, no Excel, os indicadores Valor Presente Líquido (VPL), Taxa Interna de Retorno (TIR), Valor Anual Equivalente (VAE), relação custo- benefício (C/B), Payback e Remuneração da Mão de Obra Familiar (RMOF), adotando-se uma taxa de desconto de 6% ao ano. Os resultados demonstraram que todos os sistemas são economicamente viáveis, apresentando VPL positivo, TIR superior à taxa de desconto e relação benefício-custo maior que um, indicando geração de valor ao longo do tempo. O SAF 1 destacou-se pelo melhor desempenho econômico, com maior rentabilidade e menor tempo de retorno, enquanto os SAFs 2 e 4 apresentaram maior estabilidade de receitas em função da diversificação produtiva. O SAF 3, embora viável, apresentou menor atratividade econômica. O açaí consolidou-se como principal componente da receita, exercendo influência no desempenho financeiro e na sensibilidade dos sistemas às variações de preço. A análise de sensibilidade, considerando variações de +10%, +20%, -10% e -20% nos preços das culturas, evidenciou que todos os sistemas mantêm viabilidade mesmo em cenários adversos, inclusive com redução de 20% no preço das espécies. Identificou-se que, nos modelos e condições estudadas, os custos com insumos se concentram na fase de implantação, enquanto a demanda por mão de obra se intensifica nos anos intermediários, acompanhando o aumento das atividades de manejo e colheita. A RMOF mostrou-se competitiva, atingindo valores três vezes superiores ao custo de oportunidade regional. Apesar da viabilidade, os sistemas apresentaram tempos de retorno relativamente elevados, em função da baixa geração de receitas nos anos iniciais. A ampliação de ciclos da mandioca poderia contribuir para melhorar o fluxo de caixa e reduzir o payback; contudo, essa estratégia requer ajustes no arranjo espacial das espécies, especialmente no espaçamento, para evitar competição excessiva. Conclui-se que os consórcios agroflorestais avaliados são alternativas economicamente viáveis e resilientes para a Amazônia, mas destaca-se que a escolha do sistema deve considerar, além dos indicadores financeiros, fatores como capacidade de manejo, disponibilidade de mão de obra e acesso a mercados, de modo a garantir sustentabilidade no longo prazo.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - ***.359.608-** - LUCIA HELENA DE OLIVEIRA WADT - EMBRAPA
Interno - ***.701.522-** - MARCELO LUCIAN FERRONATO - UNIR
Externo à Instituição - TADARIO KAMEL DE OLIVEIRA
Notícia cadastrada em: 21/05/2026 09:44
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