Monitoramento Funcional e Avaliação de Impacto da Restauração Ecológica na Amazônia: Indicadores Biofísicos Derivados do PySEBAL e Avaliação Contrafactual.
balanço de energia superficial; evapotranspiração; restauração ecológica; sensoriamento remoto; unidades de conservação.
Esta dissertação avaliou a trajetória funcional da Floresta Nacional do Bom Futuro, unidade de conservação localizada em Porto Velho, Rondônia, por meio de indicadores biofísicos derivados do algoritmo PySEBAL e de cenários contrafactuais baseados em modelos de Random Forest. O primeiro capítulo analisou a trajetória temporal da produção de biomassa acima do solo (AGBp), do déficit de biomassa (AGBd) e da produtividade da água pela biomassa (WPb) durante a estação seca de 2013 a 2025, a partir de imagens Landsat 8. Aplicaram-se o teste de Mann-Kendall com correção para autocorrelação, o estimador Slope de Sen, o teste de ruptura de Pettitt e o teste de Wilcoxon com estimador Cohen’s d, segmentados por sete zonas de borda. Os resultados indicaram declínio funcional consistente: a AGBp apresentou tendência negativa significativa em aproximadamente 30% da área analisada, com taxa mediana de −2,889 kg ha⁻¹ dia⁻¹ ano⁻¹ e gradiente de deterioração mais intenso nas zonas de borda; a WPb exibiu ruptura estrutural em 2020 em mais de 50% dos pixels estáveis, sem recuperação nos anos subsequentes; o AGBd confirmou o agravamento do estresse hídrico após a ruptura. O segundo capítulo utilizou modelos Random Forest com validação cruzada por blocos espaciais para construir cenários contrafactuais de avaliação de impacto em sete áreas submetidas a intervenções de restauração ecológica. Os modelos apresentaram desempenho satisfatório para as variáveis de biomassa e produtividade hídrica (R² CV entre 0,925 e 0,963), e o diagnóstico de endogeneidade, baseado em Z-scores de deslocamento de média, não identificou violações ao pressuposto de exogeneidade em nenhum dos 52 testes realizados. As estimativas de impacto foram predominantemente negativas nos primeiros seis anos pós-intervenção, interpretadas como reflexo da quebra de estacionariedade causada pela ruptura de regime de 2020, que compromete a extrapolação da linha de base contrafactual. Uma tendência de reversão positiva observada nos Anos 7 e 8 pós-intervenção é condizente com padrões de recuperação funcional tardia descritos na literatura. Conclui-se que a Flona do Bom Futuro apresenta deterioração metabólica progressiva agravada por uma transição de regime funcional a partir de 2020, e que a articulação entre o PySEBAL, análise de séries temporais não paramétricas e modelagem contrafactual por aprendizado de máquina constitui abordagem operacionalmente viável para o monitoramento de restauração ecológica em larga escala na Amazônia.