ARRANJO PRODUTIVO LOCAL E POTENCIAL DE BIOECONOMIA DO ÓLEO DE COPAÍBA EM COMUNIDADES EXTRATIVISTAS DE RONDÔNIA
Bioeconomia amazônica; Comunidades extrativistas; Cadeia produtiva; Copaifera spp.; Valorização da Floresta em Pé.
As árvores de copaíba (Copaifera spp.), amplamente distribuídas na Amazônia, produzem uma oleorresina com propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias, antimicrobianas e cicatrizantes. Este óleo é utilizado nas indústrias de cosméticos, tintas, lubrificantes e na medicina tradicional, em especial na região Norte do Brasil. Apesar de seu potencial, o arranjo produtivo nas Reservas Extrativistas (Resex) de Rondônia é pouco estruturado, tornando essa bioeconomia invisível. Este estudo tem como objetivo analisar os aspectos ecológicos, produtivos e mercadológicos da extração e comercialização do óleo de copaíba por comunidades extrativistas em Rondônia. Foram entrevistados três grupos: G1 – extrativistas, G2 – comerciantes e G3 – órgãos de fomento. A pesquisa, nas unidades de conservação, foi realizada nos municípios de Costa Marques, Guajará-Mirim, Machadinho do Oeste e Vale do Anari, abordando desde a coleta até a comercialização, com foco no conhecimento etnobotânico, práticas de manejo, processamento, armazenamento, estratégias de agregação de valor, aspectos culturais e análise FOFA (Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças). As coletas de campo ocorreram nas Resex Aquariquara, Castanheira, Rio Cautário, Rio Pacaás Novos e Rio Preto Jacundá. No total participaram 40 pessoas sendo: G1 – 17, G2 – 10 e, G3 – 13. A pesquisa também avaliou a contribuição econômica do óleo para as famílias locais e identificou oportunidades para fortalecer a bioeconomia amazônica por meio da valorização do conhecimento tradicional e da organização da produção. Os resultados indicam que o arranjo produtivo local da copaíba gera renda extra significativa para os extrativistas. Quatro tipos de óleorresina foram citados: Mari-Mari, Angelim, Cuiarana e Jacaré, com produção média na primeira extração de 10, 40 e 20 litros, respectivamente, para os três primeiros. O valor comercializado varia entre R$ 60,00 à R$ 120,00 por litro, com vendas locais e para os estados de São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia. Entre as boas práticas recomendadas estão a vedação do buraco aberto no tronco da árvore com estaca de breu, filtragem do óleo para remoção de resíduos e armazenamento em galões limpos e opacos. O estudo também identificou fragilidades como ausência de manejo adequado, perda de áreas produtivas para o agronegócio e rede institucional frágil. Conclui-se que há viabilidade na produção do óleo de copaíba, mas é necessário maior organização comunitária e políticas públicas voltadas para assessoria técnica, crédito, fomento, práticas adequadas de manejo e rastreabilidade. Essas ações podem fortalecer a bioeconomia local, melhorar a qualidade de vida dos envolvidos e valorizar a floresta em pé, visando melhor qualidade de vida nas comunidades tradicionais pesquisadas.