A INFLUÊNCIA DA SAZONALIDADE DO FOGO NA COMPOSIÇÃO E ESTRUTURA DE COMUNIDADES SUBARBUSTIVAS DAS SAVANAS DO PARQUE NACIONAL DOS CAMPOS AMAZÔNICOS
Fogo; sazonalidade; savanas amazônicas; diversidade; estrato subarbustivo.
O fogo constitui um dos principais agentes ecológicos responsáveis pela estruturação de ecossistemas savânicos, influenciando diretamente a composição, diversidade e funcionamento das comunidades vegetais. Em savanas amazônicas, entretanto, os efeitos da sazonalidade do fogo permanecem pouco compreendidos, especialmente sobre o estrato subarbustivo, componente sensível e funcionalmente relevante na dinâmica desses sistemas. Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo avaliar como diferentes épocas de ocorrência do fogo - início e meio da estação seca - influenciam a composição e a estrutura de comunidades subarbustivas no Parque Nacional dos Campos Amazônicos. O estudo foi conduzido em duas zonas experimentais (A e B) com características fisionômicas distintas, onde foram estabelecidas parcelas submetidas a três tratamentos: queima no início da estação seca, queima no meio da estação seca e áreas controle sem queima. A amostragem foi realizada antes do fogo (2019) e dois anos após os eventos (2021), considerando variáveis como riqueza de espécies, abundância, diversidade de Shannon (H’) e equitabilidade de Pielou (J’). As análises foram conduzidas no ambiente R, com uso do pacote vegan. Foram registrados 60 morfotipos distribuídos em 26 famílias, com destaque para Melastomataceae, Malpighiaceae e Fabaceae. A Zona B apresentou maior riqueza (49 espécies), porém menor diversidade (H’ = 2,33) e equitabilidade (J’ = 0,60), indicando maior dominância de espécies, enquanto a Zona A apresentou menor riqueza (45 espécies), mas maior diversidade (H’ = 2,66) e equitabilidade (J’ = 0,70). A similaridade florística entre as áreas foi elevada (índice de Jaccard = 0,78), com compartilhamento de espécies dominantes. Os resultados indicam que a estrutura das comunidades é fortemente marcada por padrões de dominância e que diferenças na sazonalidade do fogo tendem a influenciar a distribuição das abundâncias e a organização estrutural das comunidades. De modo geral, os dados sugerem que queimadas em diferentes períodos do ano modulam a intensidade do distúrbio e atuam como filtros ambientais, favorecendo espécies com maior capacidade de tolerância ao fogo e influenciando padrões de diversidade e equitabilidade. Esses resultados contribuem para o entendimento da dinâmica do fogo em savanas amazônicas e fornecem subsídios para estratégias de manejo adaptativo em unidades de conservação.