Plantas Medicinais: Um Estudo Etnobotânico na Reserva Extrativista do Rio Ouro Preto
Amazônia; população tradicional; recursos terapêuticos.
As plantas são usadas para diversas finalidades, entre elas a medicinal, relacionadas ao saber tradicional acumulado durante anos pelos povos extrativistas. Este trabalho teve como objetivo investigar o conhecimento local sobre a diversidade e o uso de plantas utilizadas com finalidades terapêuticas por moradores da Reserva Extrativista do Rio Ouro Preto – RO. Os participantes foram selecionados pelo método “bola de neve” e entrevistados por meio de um formulário. O tempo de residência na Resex variou de 1 a 74 anos. O grupo que citou o maior número de espécies foi aquele composto pelos moradores entre 1 a 10 anos de residência, contabilizando 42 espécies e média de 4,22 citações por pessoa. Na presente pesquisa, 51% dos participantes eram homens e 49% mulheres. Não foram observadas diferenças significativas de conhecimento acordo com o gênero, as mulheres citaram em média 4,725 plantas, totalizando 55 espécies mencionadas, enquanto os homens citaram 68 espécies, com média de 4,619 citações por pessoa. A grande maioria dos moradores possuía ensino fundamental incompleto (n-48). As pessoas com fundamental incompleto apresentaram média de 4.47 citações de espécies por pessoa. A transmissão do conhecimento ocorre de diversas vias, mas principalmente de maneira vertical (56), seguida pelas múltiplas vias de aprendizagem (mista) (16) e horizontal (5), as formas menos citadas foram aprendizagem individual (4) e oblíqua (1). Lamiaceae e Fabaceae foram as famílias botânicas mais citadas. Em relação as partes das plantas utilizadas, destacam-se as estruturas aéreas, como casca, folha e caule, nas diversas formas de uso/preparo, mas principalmente no preparo do chá (62,53%), indicadas para o tratamento de doenças relacionadas ao sistema digestório, respiratório e sintomas em geral. Os resultados ressaltam a importância das plantas medicinais para as comunidades extrativistas, uma vez que, elas são um dos primeiros recursos usados no sistema de saúde local.