Banca de DEFESA: CAMILA SAVENHAGO DE LIMA

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : CAMILA SAVENHAGO DE LIMA
DATA : 26/06/2026
HORA: 14:00
LOCAL: Banca remota - Canal do Youtube do Departamento de História
TÍTULO:

Discursos da floresta: racionalidade política e legislação ambiental no Estado Novo (1937 - 1945)


PALAVRAS-CHAVES:

Código Florestal; Estado Novo; Amazônia; modernização autoritária; racionalização da natureza


PÁGINAS: 124
RESUMO:

Esta dissertação investiga a articulação entre o Código Florestal de 1934 e o Discurso do Rio Amazonas de 1940 como expressões de uma política de racionalização e controle da natureza no contexto do Estado Novo (1937-1945), com ênfase na Amazônia. O objetivo geral é analisar como esses instrumentos legais e retóricos construíram uma narrativa de integração da região ao projeto autoritário e modernizador do governo Vargas. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, baseada em análise documental e teórica. O corpus inclui o Código Florestal, o Discurso do Rio Amazonas, a revista Cultura Política (acervo da Hemeroteca Digital Brasileira), cartazes e fotografias de Jean Pierre Chabloz (acervo do MAUC/UFC), além de reportagens de jornais da época (Correio da Manhã, A Noite, Correio do Ceará, O Estado). O referencial teórico articula os conceitos de poder simbólico (Pierre Bourdieu), hegemonia (Antonio Gramsci) e governamentalidade/poder pastoral (Michel Foucault). Os resultados demonstram que: (1) a crítica ambiental no Brasil pré-1930 já vinculava conservação ao progresso econômico, construindo a Amazônia como “vazio” a ser conquistado; (2) o Código de 1934 classificou as florestas em quatro categorias (protetoras, remanescentes, modelo e de rendimento), subordinando a conservação à lógica do rendimento e criando dispositivos de vigilância que, na prática, revelaram-se inefetivos; (3) a Marcha para o Oeste e o Discurso do Rio Amazonas traduziram essa racionalidade em retórica épica, e a Batalha da Borracha materializou a exploração predatória de trabalhadores e da floresta; (4) a revista Cultura Política e a propaganda do DIP consolidaram o consenso em torno da modernização autoritária, forjando uma tradição bandeirante e a figura de Vargas como líder-pastor. Conclui-se que o Código Florestal e o Discurso do Rio Amazonas não foram instrumentos de proteção ambiental, mas materializações de uma modernização autoritária que subordinou a natureza à lógica do progresso econômico e da segurança nacional, cuja herança persiste nos conflitos agrários e no desmatamento contemporâneo da Amazônia.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1026320 - ANTONIO CLAUDIO BARBOSA RABELLO
Interno - 1526681 - ALEXANDRE PACHECO
Externa à Instituição - MONICA PICCOLO ALMEIDA CHAVES - UEMA
Notícia cadastrada em: 09/06/2026 10:37
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