ESTRADAS COMO MEIOS DE COMUNICAÇÃO: UM ESTUDO SOBRE A BR-364 EM RONDÔNIA
BR-364; Rondônia; Comunicação; Amazônia; Rodovia.
A presente pesquisa investiga a BR-364 como artefato comunicacional na Amazônia rondoniense, partindo do entendimento teórico, fundamentado em Harold Innis, de que infraestruturas viárias operam como meios de comunicação com viés espacial. O estudo teve como objetivo geral analisar a BR-364 como meio de comunicação, investigando suas dimensões simbólicas, territoriais e discursivas a partir das mediações expressas em documentos oficiais, narrativas jornalísticas (2015-2025) e postagens em redes sociais. A metodologia adotada foi qualitativa, de caráter interpretativo e crítico, combinando análise documental histórica e análise crítica do discurso (Fairclough). O referencial teórico articulou três pilares: a Economia Política da Comunicação a partir do viés espacial (Innis, 2008), as Mediações Culturais (Martín-Barbero, 2001), a Geografia Crítica com a técnica como ideologia (Santos, 2002) e a geopolítica amazônica (Becker 2004; 2005). Os principais resultados indicam que a BR-364 é representada discursivamente como "principal corredor logístico" para escoamento de grãos, naturalizando sua subordinação aos interesses do agronegócio exportador, envolta em uma celebração fetichizada da técnica (asfalto, máquinas, quilômetros construídos); modalizações de certeza sobre benefícios futuros; silenciamento de vozes dissonantes; construção de memória seletiva que opõe passado de "dor" (gestão pública) a futuro de "esperança" (gestão privada); e apelo ao progresso como valor absoluto. Conclui-se que a BR-364 constitui um artefato comunicacional total, cujos sentidos são permanentemente produzidos e disputados na confluência entre materialidade técnica, geopolítica da acumulação e mediações culturais.