CORPOS-TERRITÓRIOS NA REGIÃO AMAZÔNICA: perspectivas dos envelhecimentos femininos em Rondônia
Envelhecimento; Gênero; Subjetividade; Cartografia; Fotografia; Território; Feminismo.
Esta dissertação busca compreender, a partir do relato subjetivo de quatro mulheres que
habitam a Região Norte, os processos de envelhecimento, partindo de um olhar interseccional
tecido diante da compreensão de envelhecimento, gênero, território e fotografia, as mesmas
que foram utilizadas como categorias de análise. O caminho aqui percorrido é uma andança
cartográfica, portanto, são criadas pistas que conduzem a leitora a navegar nos locais que
foram aprofundados.. A partir de uma abordagem qualitativa, centrada no aprofundamento
dos elementos interseccionais, se compreendeu a maneira como o gênero é também uma
construção social, portanto, não há apenas um entendimento de mulher, mas mulheridades que
habitam esse espaço. Na mesma medida, a cartografia permeia toda a sua narrativa, diante
disso, a pesquisadora não assume apenas um espaço de captação, mas de produção dos dados
aqui apresentados. A pesquisa foi constituída diante de um recorte sociogeográfico, neste
sentido, as mulheres que fazem parte do relato possuem mais de 60 anos, falando, assim, dos
entendimentos da velhice. Neste sentido, foram analisadas as maneiras como cada uma das
participantes compreende sua subjetividade e se relacionam com a passagem contínua do
tempo. O território aqui investigado não se resume ao espaço geográfico habitado, mas a
construção de sentido que esse lugar atravessa a corporeidade de cada uma das mulheres. Para
a construção também deste trabalho, foi traçado um olhar imagético, ou seja, além dos relatos
orais que constroem esse conhecimento, também há narrativas visuais, fotografias realizadas
pela pesquisadora que mapeiam, na pele, esse processo de envelhecimento. A
pesquisadora-artista concretiza a pesquisa em uma ação multidisciplinar em que a arte é uma
maneira de produção de conhecimento. Neste sentido, foi possível compreender que, apesar
de as participantes narrarem suas experiências compartilhando o mesmo território, há
singularidades que pertencem às suas subjetividades, tanto quanto aproximações que
constroem o entendimento de velhice em Rondônia. Ou seja, essa pesquisa não propõe pensar
a velhice a partir de um contexto externo, mas na maneira como envelhecer neste local
atravessa afetamentos.