CRIANÇAS E ADOLESCENTES DESAPARECIDOS EM PORTO VELHO (RONDÔNIA, BRASIL): DINÂMICAS E ESTATÍSTICAS DE UM FENÔMENO SILENCIOSO E SILENCIADO – 2019 A 2022.
Desaparecidos, Violência, Enfrentamento, Crianças, Adolescentes.
Somente no ano de 2022 o Brasil registrou mais de 74 mil desaparecimentos de pessoas. Os números apresentados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública a partir do consolidado de registros nas delegacias de polícia não deixa margem para dúvidas sobre a importância do tema. Neste contexto, experimenta-se uma generalização de causas e fatores que envolvem o fenômeno, além da perturbadora dimensão do caos relacionados aos dados que comprometem estratégias de enfrentamento. Na medida que se realizam os recortes demográficos fica mais evidente o desafio: enquanto a média da taxa de desaparecimentos no Brasil fica em torno de 32 por 100 mil, ela atinge mais de 311 por 100 mil em Porto Velho/RO. Ante a complexidade do processo que se vê sujeito a inúmeras variáveis, inclusive de ordem cultural e econômica, busca-se neste trabalho determinar a dinâmica do evento sobre a população de crianças e adolescentes na Capital de Rondônia bem como a identificação dos principais motivos associados aos sumiços e que muitas vezes se encontram sobrepostos a fatores socialmente conhecidos como a violência intrafamiliar, sexual e de gênero, e que, igualmente, carecem de políticas públicas eficazes e duradouras como resposta. No intuito de que a pesquisa expressasse o melhor enquadramento possível da realidade, utilizou-se a matriz de dados primários disponíveis no Sistema Integrado de Registro de Ocorrências da Polícia Civil atribuídos à Delegacia Especializada em Proteção à Criança e Adolescente de Porto Velho, permitindo uma oportunidade ímpar para conhecer as implicações da desaparição sobre esta população vulnerável.