“Fauna, detecção molecular de Leishmania (Tripanosomatidae) e alimentação sanguínea de flebotomíneos (Diptera: Psychodidae) em distritos do município de Porto Velho, Rondônia, Brasil.”.
Palavras-chave: Phlebotominae. Leishmania (Viannia) naiffi. Abundância e riqueza. Ecótopos. Leishmaniose Tegumentar (LT).
Os flebotomíneos são pequenos insetos que se alimentam de seiva de plantas, sendo que apenas as fêmeas realizam hematofagia. Esse hábito permite a ingestão e transmissão de patógenos, incluindo os protozoários do gênero Leishmania. Logo, algumas espécies apresentam importância médica. Em Rondônia, já foram registradas 136 espécies de flebotomíneos, incluindo vetores e espécies com potencial de transmissão. O objetivo desse trabalho foi compreender a composição da fauna de flebotomíneos bem como a detecção de Leishmania spp. nesses insetos em quatro distritos do município de Porto Velho. O estudo foi realizado nos distritos de Nova Mutum-Paraná (NM), União Bandeirantes (UB), Vista Alegre do Abunã (VAA) e Nova Califórnia (NC). Os flebotomíneos foram coletados utilizando armadilhas luminosas do tipo HP, expostas nos ecótopos de mata, borda de mata e peridomicílio. Após triagem e identificação taxonômica, as fêmeas foram submetidas a PCR direcionada aos genes kDNA e hsp70. Foram identificados 7.026 espécimes, distribuídos em 71 espécies e 15 gêneros. Entre as espécies mais abundantes, Trichophoromyia spp., Ps. davisi, Th. auraensis e Ny. antunesi são consideradas como potenciais vetores. Nova Califórnia e Vista Alegre apresentaram as maiores abundâncias e riquezas de espécies. Cerca de 75% dos espécimes foram coletados nos meses mais chuvosos. Na detecção de Leishmania spp., 24 pools, de um total de 232, caracterizaram uma taxa de infecção mínima de 1,17%. Considerando os distritos, União Bandeirantes e Nova Mutum-Paraná apresentaram as maiores taxas (2,5% e 2,2%, respectivamente). Foi detectado DNA de Le. (Vi) naiffi em Ny. antunesi (NC, NM e UB), Ps. davisi (NC, NM e UB), Ps. hirsutus hirsutus (NC), Ny, shawi (NC), Sc. sordellii (NC) e Trichophoromyia spp. (NM, UB); DNA de Le. (Vi.) braziliensis em Ny. antunesi (NC) e Trichophoromyia spp. (MN); e DNA de Le. (Vi) lainsoni em Trichophoromyia spp. (VAA), provenientes dos ecótopos de borda, mata e peridomicílio. Os resultados corroboram estudos anteriores que demonstram a abundância e riqueza desses insetos primariamente em ambientes florestais e a presença gradual em ambientes antropizados. Além disso, a elevada taxa de infecção mínima observada neste estudo em comparação com trabalhos anteriores em outras regiões do estado, indicam a presença de potenciais vetores nessas localidades, inclusive no peridomicílio.