IDENTIFICAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO FENOTÍPICA E MOLECULAR DE Streptococcus agalactiae ISOLADOS EM GESTANTES NA REGIÃO DE PORTO VELHO-RONDÔNIA
Materno-infantil, Resistência bacteriana, Sepse neonatal, Sorotipagem, Vigilância epidemiológica.
A bactéria Streptococcus agalactiae (GBS) é o principal agente etiológico de infecções neonatais atualmente, sendo a colonização do sítio retovaginal de gestantes o principal fator de risco para o desenvolvimento da patologia. Essa espécie bacteriana é classificada em dez sorotipos (Ia, Ib e II-IX), que variam quanto a prevalência, distribuição geográfica, temporal e grau de virulência. GBS exibe um repertório de proteínas de superfície essenciais para aderir e invadir os tecidos hospedeiros, bem como dificultar o seu reconhecimento pelo sistema imune e capacidade de formar biofilmes bacterianos. Além disso, se tem reportado um aumento na taxa de resistência aos antimicrobianos profiláticos. O Brasil se enquadra na lista de países onde GBS não é reconhecido como um relevante agente etiológico de doenças neonatais. Diante disso, o presente estudo se propôs a realizar a identificação, caracterização fenotípica e molecular dos sorotipos, fatores de virulência e resistência antimicrobiana de isolados de Streptococcus agalactiae em gestantes do município de Porto Velho-RO. As amostras de GBS foram isoladas a partir de culturas retovaginais de gestantes com 35 a 37 semanas atendidas na rede básica de saúde. GBS foi identificado nas amostras por PCR (Polymerase Chain Reaction) com primers específicos do gene cfb, e posteriormente por sequenciamento da região 16S ribosomal. A sorotipagem foi realizada por ensaio de PCR multiplex convencional. Os genes associados à virulência (hylB, cylE, lmb, bac, bca, scpB e hvgA) e resistência (erm(A), erm(B) e mef(A/E)) foram avaliados através de PCR. O perfil de suscetibilidade aos antimicrobianos foi determinado pelo método de disco-difusão. A capacidade de formar biofilmes bacterianos in-vitro também foi mensurada. Do total de gestantes incluídas no estudo, 23% (114/496) apresentaram positividade para colonização por GBS, e dessas foi possível recuperar 85 isolados. Evidenciamos a presença de seis sorotipos na região, sendo 36,5% (31/85) pertencentes ao Ia, 14,1% (12/85) ao Ib e II, 11,8% (10/85) ao III, 15,3% (13/85) ao V e 8,2% (7/85) ao VI. Quanto aos fatores de virulência foi observado as seguintes frequências: scpB em 100% (85/85), lmb em 97,6% (83/58), bca em 84,7% (72/85), hylB em 64,7% (55/85), clyE em 60% (51/85) e bac em 57,6% (49/58). Foi observado que elevada taxa de resistência a tetraciclina, eritromicina e clindamicina com 74,1% (63/85), 14,1% (12/85) e 3,5% (3/85), respectivamente. Ja 100% (85/85) dos isolados foram sensíveis a penicilina, ampicilina, cefazilina, ceftriaxona, cloranfenicol e vancomicina. Em relação aos genes de resistência, observou-se que dos isolados não sensíveis para macrolídeos e lincosaminas, 64,7% (11/17) apresentam o gene erm(A), 41,2% (7/17) apresentam o gene erm(B), e 88,2% (14/17) carregavam o gene mef(A/E). Demonstrou-se que 91,8% (78/85) dos isolados possuíam a capacidade forte/moderada de produzir biofilmes. Evidenciouse que 100% dos isolados do sorotipo III são carreadores do gene hvgA e, portanto, classificados como hipervirulentos. Destaca-se aqui a segunda descrição do sorotipo VI no Brasil, com taxa de prevalência superior à encontrada anteriormente. O presente estudo aponta uma alta taxa de genes associados à virulência e resistência nos isolados da região, associada a uma disseminação homogênea entre os sorotipos encontrados e sublinha a importância de se estabelecer sistemas de vigilância ativos para compreensão das infecções causadas pelo GBS.