Microbiota de Anopheles darlingi de colônia: caracterização e impacto na infecção por Plasmodium vivax
Composição bacteriana; Tratamento antibiótico; Glândula salivar; Intestino; Suscetibilidade; Vetor da malária
A microbiota bacteriana de anofelinos é um importante fator contra a colonização do Plasmodium, porém há poucas observações sobre a interação entre a microbiota, o Plasmodium vivax e o Anopheles darlingi. Devido a necessidade de compreender a interação entre P. vivax-An. darlingi, nos propomos a estudar a composição e diversidade da microbiota intestinal e da glândula salivar de An. darlingi colonizado em laboratório e de campo, e, avaliar o impacto da microbiota na sobrevivência de An. darlingi e na infecção artificial por P. vivax. Os mosquitos foram obtidos da colônia de An. darlingi da Fiocruz Rondônia e os mosquitos de campo foram coletados por meio do método atração humana protegida. A composição da microbiota está sendo analisada por meio do sequenciamento da região hipervariável V4 do gene 16S rRNA. O efeito da microbiota na sobrevivência e no ciclo esporogônico de P. vivax foi avaliado a partir de mosquitos tratados com antibióticos e não tratados. Os mosquitos infectados com P. vivax foram dissecados no 7° e 14° dia após a infecção (dpi) para contagem de oocistos e esporozoítos, respectivamente. Para analisar α-diversidade estão sendo estimados os índices de Shannon e Simpson, e para a β-diversidade as medidas Bray-Curtis e Unifrac. Curvas de sobrevivência Kaplan-Meier dos mosquitos tratados e não tratados foram construídas e o risco relativo para cada grupo foi obtido por Modelos de Cox. O efeito do tratamento antibiótico na suscetibilidade do An. darlingi foi avaliado com teste Mann-Whitney para dados de intensidade de oocisto e esporozoíto, e Qui-quadrado para prevalência de infecção. Dados da microbiota do An. darlingi de colônia mostraram que o intestino e a glândula salivar apresentaram baixa diversidade e alta dominância de OTUs em suas comunidades. As condições de criação padronizadas e higienizadas durante o processo de colonização podem ter favorecido a uma microbiota menos diversa e dominada por poucas espécies. Apesar de que a composição bacteriana dos dois órgãos tenha sido diferente, os órgãos compartilharam uma microbiota central. Além disso, a abundância de bactérias como Asaia e Pseudomonas durante o período de infecção pelo P. vivax será importante para entender sua relação na interação P. vivax-An. darlingi, pois essas bactérias sabidamente apresentam atividade de bloqueio no desenvolvimento do Plasmodium. O tratamento antibiótico se mostrou eficaz para a redução da carga bacteriana intestinal. Essa redução resultou em um aumento na sobrevivência dos mosquitos tratados e um efeito protetor superior a 63%, independentemente de estarem infectados com P. vivax ou não. Dessa forma, os antibióticos podem estar ajudando no controle da proliferação bacteriana e evitando interações que possam afetar o tempo de vida do mosquito até o 14 dpi. Por outro lado, o tratamento antibiótico não teve efeito sobre a suscetibilidade de An. darlingi ao P. vivax, o que levanta o questionamento se a interação de An. darlingi-P.vivax-microbiota pode ser diferente do que tem sido descrito na literatura até o momento para outros modelos. A caracterização da microbiota de An. darlingi de campo e de mosquitos infectados estão em andamento para análises e conclusões finais do trabalho.