Avaliação do nível de expressão do gene TP53 e do gene IFNG em pacientes infectados por Plasmodium vivax atendidos no Centro de Pesquisa em Medicina Tropical – CEPEM
Plasmodium vivax. Proteína p53. IFN-γ. PCR em tempo real. Amazônia Ocidental.
Em 2020, quase metade da população mundial estava em risco de contrair a malária. No mesmo ano, houve cerca de 241 milhões de casos da doença e 627 mil mortes no mundo. No Brasil, cerca de 99% da transmissão da malária ocorre na Amazônia Legal e o P. vivax é o parasita predominante na Região das Américas, onde é a causa de 75% dos casos de malária. O sinal clínico da malária pode variar de manifestações brandas até quadros graves e letais, tendo os sintomas mais comuns como intensa debilidades físicas, febre, náuseas, cefaleia, mialgia e vômitos. Adultos e crianças podem desenvolver malária grave e complicada, podendo ser fatal em alguns casos. Estudos realizados in vivo e in vitro demostraram que a proteína p53 e a citocina IFN-γ podem estar envolvidas em mecanismos de proteção contra a infecção por Plasmodium. O objetivo deste estudo foi analisar o nível de expressão dos genes TP53 e IFNG na infecção causada por P. vivax em diferentes parasitemias em pacientes atendidos no Centro de Pesquisa em Medicina Tropical – CEPEM. Foram coletadas um total de 53 amostras, das quais 24 foram selecionadas aleatoriamente para um estudo prévio, sendo classificadas em 4 grupos com diferentes parasitemia: +/- (meia cruz), + (uma cruz), ++ (duas cruzes) e +++ (três cruzes). Foi realizada extração e purificação de RNA total a partir de sangue total e síntese de cDNA. A concentração ideal dos iniciadores e a eficiência de cDNA foram realizadas para padronização da técnica de PCR em tempo real. Para avaliar a variação da expressão foi utilizada a metodologia do Cq comparativo, dada pela equação ΔCT: Cq gene de interesse – Cq do gene controle. Foram obtidos valores de Cq dos genes TP53 e IFNG, utilizando como controle endógeno o gene GAPDH. Observou-se que os pacientes com alta parasitemia +++ (três cruzes) obtiveram menor perfil de expressão do gene TP53 em relação os pacientes com menores parasitemia. O gene IFNG apresentou menor expressão em pacientes com menor parasitemia +/- (meia cruz) e maior expressão em pacientes com parasitemia de ++ (duas cruzes). Os resultados corroboram com estudos realizados in vitro e in vivo de que a p53 possa estar envolvida em mecanismos de resistência ao Plasmodium.