Ação da BjcuL, uma lectina isolada do veneno da serpente Bothrops jararacussu, sobre a ativação
do complexo inflamassoma NLRP3 em células mononucleares do sangue periférico humano via interação
com TLR4.
Lectina de veneno. BjcuL. PBMCs. Inflamassoma NLRP3.
As lectinas são um grande grupo de proteínas encontradas em todos os venenos de serpentes. A BjcuL, uma lectina do tipo C, isolada do veneno da serpente Bothrops jararacussu, não apresenta ação citotóxica em células mononucleares do sangue periférico (PBMCs) humanos, porém demonstra um papel imunomodulador, induzindo a produção de citocinas pró e anti-inflamatórias (IL-2, IL-10, IFN-γ, IL-6, TNF-α e IL-17), além de estimular as células T a produzirem espécies reativas de oxigênio (ROS), que podem desempenhar um papel na reação inflamatória aguda observada nas vítimas de ofidismo. A produção de ROS pode desencadear a ativação do complexo inflamassoma NLRP3. Os inflamassomas são essenciais nas células da imunidade inata, detectam uma variedade de estímulos endógenos ou exógenos, estéreis ou infecciosos, estimulando respostas celulares e mecanismos efetores. O inflamassoma NLRP3 é um alvo importante, pois a lectina é responsável pela ativação de leucócitos que estimula a liberação de mediadores inflamatórios resultando em respostas celulares dinâmicas para restabelecer a homeostasia em vítimas de ofidismo. Assim, este estudo teve como objetivo investigar a ação da BjcuL isolada do veneno da serpente Bothrops jararacussu, na ativação do complexo inflamassoma NLRP3 em PBMCs humanos. Para isso, as PBMCs foram isoladas por gradiente de densidade e incubadas com BjcuL em diferentes períodos e concentrações. A ativação do complexo inflamassoma foi avaliada por meio da expressão gênica e proteica de ASC, CASPASE-1 e NLRP3 por RTq-PCR, Western blot, e imunofluorescência, bem como a participação do receptor Toll-like 4 (TLR4) e de ROS mitocondrial (mROS) na produção de IL-1β, produto resultante da ativação do inflamassoma NLRP3. Os dados mostraram que a BjcuL interage com o TLR4 e induz a liberação de citocinas via sinalização de NF-κB. Foi demonstrado por ensaios de expressão gênica e proteica, que a BjcuL ativa o inflamassoma NLRP3, e a modulação farmacológica com LPS-RS, antagonista de TLR4; LPS-SM, agonista de TLR4; MCC950, inibidor específico de NLRP3, e rotenona, inibidor de mROS confirmou a ativação do inflamassoma por meio da liberação de seu produto a IL-1β, e também a participação de TLR4 e de mROS. Foi verificado que os efeitos da BjcuL na regulação e ativação do complexo inflamassoma NLRP3 via ativação de TLR4 com participação de mROS podem ser um determinante para o desenvolvimento dos efeitos locais inflamatórios observados em vítimas de ofidismo.