ANÁLISE DAS TÉCNICAS DE DIAGNÓSTICO DA MALÁRIA E IMPLICAÇÕES DA VARIABILIDADE GENÉTICA DE Plasmodium falciparum NA DETECÇÃO DO ANTÍGENO PfHRP2
Plasmodium; diagnóstico da malária; Teste de Diagnóstico Rápido (TDR); pfHRP2.
A malária é uma doença infecciosa causada pelo parasita do
gênero Plasmodium. No Brasil, as espécies que infectam humanos são P. vivax, P.
falciparum e P. malariae, sendo o Plasmodium falciparum a espécie mais letal.
Apesar dos esforços para controlar a doença, 128.076 casos foram registrados em
2022 no país. Dentre as técnicas de diagnóstico estão a microscopia usada na
rotina, testes de diagnóstico rápido (TDRs) para detecção de antígenos dos genes
PfHRP2/3 e Reação em Cadeia da Polimerase (PCR). Discordâncias entre os
resultados de TDRs e demais técnicas apontam para variações genéticas no
Plasmodium, as quais podem afetar o diagnóstico, o controle e o monitoramento da
malária. Apesar da recomendação da OMS de monitoramento de deleções nos
genes PfHRP2/3, esses dados são escassos no Brasil. OBJETIVO: Analisar a
prevalência de malária por microscopia, imunocromatografia e abordagens
moleculares, incluindo o estudo de variações genéticas em P. falciparum.
METODOLOGIA: Este estudo possui aprovação pelo sistema CEP/CONEP. Dados
sócio-epidemiológicos e amostras de sangue venoso de 995 pacientes foram
utilizadas para caracterização da população e detecção de Plasmodium por
microscopia de gota espessa, TDRs e testes moleculares por qPCR.
Adicionalmente, para análises de diversidade genética, todos casos positivos para P.
falciparum foram submetidos à amplificação dos genes PfHRP2 e PfHRP3 seguida
de sequenciamento de Sanger. RESULTADOS E DISCUSSÃO: O diagnóstico
positivo para malária por microscopia foi de 40% dos participantes (394/995), nos
TDRs foi observado 41% (405/995), enquanto o observado por qPCR foi de 46%
(457/995)., pela qual também foi possível detectar a presença de uma amostra
positiva para P. malarie e duas amostras com co-infecção de P. vivax e P. falciparum.
A prevalência majoritária de Plasmodium vivax foi observada em mais de 90% dos
casos. Além disso, 18% (82/457) foram discordantes para identificação das espécies
de Plasmodium entre as técnicas de microscopia e qPCR e 12% (57/457)
discordantes entre TDRs e qPCR. Adicionalmente, evidências de deleções em
PfHRP2 e PfHRP3 foram identificadas para 8 casos positivos por microscopia para
Plasmodium falciparum e negativos por TDRs e 4 casos positivos para qPCR e
negativos por TDRs. A presença de deleções observadas neste estudo evidenciam a
variabilidade genética de Plasmodium falciparum na população através da alta
frequência de deleção em PfHRP3 (94%; 48/51) e expressiva frequência para
PfHRP2 (18%; 9/51), diferentemente da reportada em estudos prévios. Esses dados
são corroborados ainda pela presença de importantes substituições e/ou
deleção/inserção de aminoácidos ainda não descritos na literatura, porém com
potenciais implicações clínicas no diagnóstico e tratamento. Desta forma, os dados
deste estudo apontam para a importância da vigilância epidemiológica dos casos de
malária na região.