Culicoides spp. em fragmentos florestais urbanos: diversidade, infecção natural e potencial para colonização
Maruins, Vegetação ripária, Oviposição, Vigilância, Oropouche.
Os ceratopogonídeos são dípteros com ampla distribuição e diversidade, ocorrendo em ambientes variados, sendo que algumas espécies do gênero Culicoides possuem importância médica e veterinária. Informações acerca da bionomia e ecologia destes insetos podem contribuir para o conhecimento de sua ocorrência em áreas urbanas, além de fornecer dados para colonização em laboratório, que são essenciais para a compreensão da atividade vetorial. Desse modo, o objetivo deste estudo foi avaliar a diversidade de espécies de Culicoides e infecção natural por tripanossomatídeos em fragmentos de vegetação ripária na área urbana de Porto Velho, Rondônia; realizar ensaios que possibilitem a colonização de Culicoides paraensis em condições de laboratório; e efetuar vigilância entomovirológica para o vírus Oropouche (OROV) durante um surto deste vírus. Foram selecionados 10 fragmentos florestais urbanos para coletas entomológicas em Porto Velho. Para os ensaios de colonização, foram realizados experimentos de oviposição visando a escolha de substratos. Para a vigilância do OROV, coletas entomológicas foram realizadas em residências e adjacências com casos humanos do vírus. Foram capturados 564 indivíduos do gênero Culicoides, distribuídos em 17 espécies. Todas as 10 localidades apresentaram maruins, em menor ou maior abundância. A variação no tamanho das áreas não afetou o número de indivíduos e o número de espécies de maruins. Em relação à estratificação vertical, os estratos de copa e solo apresentaram resultado similar, com 304 e 260 insetos coletados. Nos ensaios de oviposição, foram depositados 563 ovos de Culicoides paraensis, sendo 203 ovos no primeiro ensaio, depositados por 10 fêmeas; 179 no segundo ensaio, depositados por 12 fêmeas; e 181 no terceiro ensaio, depositados por 13 fêmeas. Do total de 300 fêmeas utilizadas, 83 encontravam-se grávidas, desenvolvendo ovos, sendo 35 responsáveis pela oviposição e 48 pela retenção de ovos. O substrato “Talo em Decomposição” apresentou maior quantidade de ovos depositados (n=282), seguido por “Talo Fresco” (n=213), “Infusão” (n=66) e “Água” (controle) (n=2). Em relação à vigilância entomovirológica, foram amostrados 3.950 insetos, distribuídos entre mosquitos (Culicidae), maruins (Ceratopogonidae), e flebotomíneos (Phlebotominae), identificados em 19 espécies/taxa. As espécies mais abundantes foram Culex quinquefasciatus (n=2.048), Culicoides paraensis (n=1.465), Aedes aegypti (n=166), Aedes albopictus (n=116) e Limatus durhamii (n=36). Os insetos foram agrupados em 559 amostras. Deste total, sete apresentaram amplificação para sequência-alvo do OROV. A taxa mínima de infecção foi de 1,44 para todos os insetos coletados, de 1,69 para fêmeas e 0,77 para machos. Quanto às espécies encontradas com o RNA viral, as taxas obtidas foram de 2,04 para Cx. quinquefasciatus, 5,37 para Ae. albopictus e 16,1 para Li. durhamii.