IDENTIFICAÇÃO MOLECULAR DOS MECANISMOS DE RESISTÊNCIA ANTIMICROBIANA EM Pseudomonas aeruginosa ISOLADAS DE UNIDADES DE TERAPIA INTENSIVA (UTI) DA REGIÃO DE PORTO VELHO/RO
Pseudomonas aeruginosa. Carbapenêmicos. Biofilme. Multirresistência.
Pseudomonas aeruginosa está entre os principais microrganismos causadores de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS), se destacando como um patógeno oportunista em Unidades de Terapia Intensiva (UTI). A grande urgência em torno dessa espécie é devido ao crescente número de cepas resistentes aos diversos antibióticos utilizados em sua antibioticoterapia, inclusive os carbepenêmicos, que entre os antibióticos convencionais são a principal escolha para o tratamento de infecções. Nestes termos, múltiplos mecanismos de resistência são associados a P. aeruginosa, como expressão de genes codificadores de enzimas que inativam ou hidrolisam os antimicrobianos, e fatores de virulência como o biofilme. Diante disso, o objetivo deste trabalho foi identificar molecularmente os mecanismos de resistência em isolados de P. aeruginosa oriundos de pacientes internados e ambiente hospitalar de UTIs de Porto Velho/RO. As coletas foram realizadas entre os anos de 2017 e 2018 em três hospitais públicos de referência. Foram obtidos 216 isolados, destes quais 162 eram de pacientes: Cavidade bucal (78); Traqueostomia (37); Axila (24); Urina (11); Sangue (6); Secreção de ferida (6). Das estruturas hospitalares foram 54: Pia (22); Torneira (19); Leito (11) e Piso (2). Quanto ao perfil de resistência, a maior taxa de não susceptibilidade foi ao Imipenem com 33,7% (73/216) e Meropenem com 29,6% (64/216). De isolados sensíveis, 89,3% (193/216) foram susceptíveis a Piperaciclina-Tazobactam, 83,7% a Ceftolozane-Tazobactam e 82,8% a Ceftazidima-Avibactam. O fenótipo de multirresistência (MDR) foi apresentado por 30% (65/216) dos isolados, sendo que desses 84,6% (55/65) eram advindos de pacientes. Das cepas MDR, 3,1% (2/65) foram não susceptíveis a Polimixina B e 92,3% (60/65) foram moderado/forte produtores de biofilme. Quanto aos genes de resistência, a maior prevalência foi de blaCTX-M com 38,8% (84/216), seguido de blaTEM com 29,1% (63/216), 4,1% (9/216) de blaSHV e 0,4% (1/216) de blaIMP e blaKPC. Ademais, observou-se a presença de clones de P. aeruginosa em diferentes sítios do mesmo paciente, bem como em estruturas hospitalares e pacientes, e em hospitais distintos carreando genes de resistência. Esses dados servem de alerta para o risco de disseminação desse patógeno albergando genes de resistência podendo impactar nas IRAS e em problemas de saúde pública.