ATIVIDADE in vitro DE DUAS PROTEÍNAS ÁCIDAS DO VENENO DA SERPENTE Bothrops jararacussu: CONTRA FORMAS INTRAERITROCÍTICAS DE Plasmodium falciparum
Venenos de serpentes. Fosfolipase A2. Lectina tipo C. Atividade antiplasmodial.
A malária é uma infecção causada por protozoários do gênero Plasmodium, destacando-se por elevados números de casos registrados em regiões tropicais. Além disso, caracteriza-se por ter uma terapêutica, que em algumas localidades, apresentam cepas que desenvolveram resistência aos fármacos utilizados. Novas estratégias têm sido adotadas com o intuito de identificar moléculas que sejam eficazes para o tratamento dessa doença. No presente trabalho buscou-se avaliar a atividade antiplasmodial in vitro da BjcuL (lectina tipo C) e da BthA-I-PLA2 (fosfolipase A2) ambas isoladas do veneno da serpente Bothrops jararacussu. A purificação da lectina foi realizada utilizando-se como primeira etapa uma cromatografia de afinidade em resina agarose-lactose, seguida de fase reversa em coluna C18. As análises eletroforéticas e por espectrometria de massa demonstraram que a lectina apresenta-se com uma estrutura dimérica, unidas por ligações dissulfeto, com massa molecular de 16.117 Da para cada monômero, constituindo uma proteína dimérica com 32.642 Da. A lectina teve sua capacidade hemaglutinante comprovada, bem como sua inibição foi verificada por lactose, galactosamina e EDTA, demonstrando de maneira indireta, sua afinidade pelo carboidrato glicose, e a dependência por íons de Ca2+ com a utilização do quelante EDTA que inibiu a manutenção desta atividade biológica. A purificação da PLA2 foi realizada em 2 etapas cromatográficas, sendo a primeira de troca iônica em resina CM-Sepharose, seguida por cromatografia de fase reversa em resina C-18, extraindo-se uma fração ácida de interesse e recromatografada nas mesmas condições desta última etapa. A SDS-PAGE mostrou a presença de uma proteína com massa molecular aparente de 15 kDa, compatível com as fosfolipases A2 de serpentes. A atividade enzimática foi avaliada utilizando-se o substrato cromogênico 4N3OBA e demonstrou que a BthA-I-PLA2 é uma fosfolipase A2 enzimaticamente ativa. Em seguida, o potencial antiparasitário do veneno e das proteínas isoladas foram avaliados in vitro contra formas intraeritrocíticas de Plasmodium falciparum. Os resultados de inibição antiparasitária frente ao parasito P. falciparum, do veneno, da lectina e da PLA2 apresentaram IC50 de 0,31, 0,11 e 0,028 μg/mL, respectivamente. A avaliação da atividade citotóxica frente a linhagem celular HepG2 apresentada pela Lectina e PLA2 mostrou que as moléculas foram seletivas para o parasito e não para as células, denotando CC50 ≥ 10 com índice de seletividade (IS) de 90,9 para a Lectina e 357,14 para a PLA2. Os resultados ressaltam a relevância do estudo de venenos de serpentes como fonte promissora de moléculas ativas contra doenças parasitárias tropicais que afetam a humanidade e em particular, demonstram potencial inibitório do crescimento do parasito P. falciparum pelas proteínas ácidas isoladas do veneno da serpente B. jararacussu.