ESTUDO DO EFEITO ANTIMALÁRICO IN VITRO E DO PERFIL ADME/TOX IN SILICO DE DERIVADOS DE NAFTOQUINONAS
Malária. Plasmodium falciparum. Naftoquinonas
A malária, doença tropical causada pelo Plasmodium sp. e transmitida pelo mosquito Anopheles, registrou 249 milhões de casos em 2022, com alta mortalidade, especialmente em regiões tropicais e subtropicais. A temperatura é um fator crucial na transmissão, sendo que P. falciparum não completa seu ciclo abaixo de 20°C. Nas Américas, houve redução significativa dos casos, com destaque para Brasil, Colômbia e Venezuela. No Brasil, a maioria dos casos ocorre na Amazônia, com P. vivax responsável pela maior parte das infecções. Em 2022, foram notificados 131.224 casos no país, com uma ligeira redução em relação ao ano anterior. O objetivo deste estudo é avaliar atividade antimalárica in vitro e in silico de compostos derivados de naftoquinonas, denominadas RM 12, RM 13 e RM 14. Para tanto, foi determinado o valor de inibição de crescimento para 50% (IC50) de Plasmodium falciparum W2, o valor da concentração citotóxica de 50% da população celular (CC50) HepG2 (célula hepática humana) e vero (célula derivada do rim de macaco), e calculou-se o índice de seletividade (IS); além disso, foram avaliados o efeito hemolítico e as propriedades físico-químicas, farmacocinéticas e farmacodinâmicas dos compostos, através de ferramentas in silico. Os compostos foram obtidos e solubilizados para posterior teste. Utilizou-se a forma assexuada de P. falciparum W2, revelado pelo método de Sybr Green I, a partir de uma diluição seriada 1:2 dos compostos, com concentração inicial de 200 μM. Os testes para determinar o valor de CC50 foram revelados pelo método de resazurina. A partir da razão entre o CC50 e o IC50, calculou-se o IS. De forma simultânea, foi realizado o ensaio de hemólise com eritrócitos humanos. As propriedades físico-químicas e atividades biológicas foram avaliadas nos softwares Osiris e Molinspiration. No estudo in vitro, o composto RM 12 mostrou um IC50 de 5,14 ± 0,5 e CC50 frente à célula HepG2 de 32,33 ± 4,88, com o IS de 6,3. Já o composto RM 13 apresentou um IC50 de 1,78 ± 0,46 e o CC50 de 221,25 ± 0,74, com o IS de 124,1. Em relação ao composto RM 14, o IC50 foi de 10,77 ± 3,36, o CC50 de 216,9 ± 2,12, com IS de 20,1. Os compostos não apresentam efeito hemolítico, mesmo que em maior concentração. Mediante os resultados obtidos, conclui-se que os compostos RM 13 e RM 14 foram mais seletivos para o parasito. Todos os compostos foram ativos contra o parasito, contudo, o composto RM 12 apresentou maior toxicidade. Com isso, observa-se que, o composto RM 13 é o mais ativo e candidato para outros ensaios pré-clínicos antimaláricos.