Avaliação da dinâmica do processo inflamatório e hemorrágico após o tratamento do
envenenamento experimental por Bothrops jararacussu utilizando fotobiomodulação (LED)
Ofidismo; Fotobiomodulação; LED; Soroterapia; BjussuMP-II;
Tratamento
Os acidentes ofídicos, causados pela inoculação acidental de veneno de serpentes
peçonhentas em seres humanos, são uma grave questão de saúde pública,
especialmente em regiões tropicais de países em desenvolvimento. Anualmente,
5,4 milhões de pessoas sofrem acidentes com serpentes, resultando em 1,8 a 2,7
milhões de envenenamentos. No Brasil, entre 2010 e 2023, foram registrados
343.403 casos, com a região Norte liderando as notificações (124.055 casos). Entre
os quatro gêneros de serpentes peçonhentas do Brasil, o gênero Bothrops é de
grande interesse médico, sendo responsável por aproximadamente 86% das
mordidas/picadas. Dentro desse gênero, a Bothrops jararacussu está entre as
espécies que causam mais acidentes e que inoculam a maior quantidade de
veneno, causando graves danos. Embora o soro antiofídico seja eficaz nos efeitos
sistêmicos, ele tem eficácia limitada contra os danos locais. Diante desse cenário,
o objetivo deste estudo foi avaliar a dinâmica do processo inflamatório e
hemorrágico após o envenenamento experimental com a metaloproteinase P-I
isolada do veneno de Bothrops jararacussu, denominada BjussuMP-II. Para tal, o
envenenamento experimental foi conduzido em músculos gastrocnêmios de
camundongos Swiss machos, com massa entre 18 e 22 gramas (divididos em
grupos de 5 animais), por meio da inoculação intramuscular de 50 μL de PBS ou 50
μg de BjussuMP-II. Após 30 minutos, foram administrados os tratamentos com soro,
LED, ou a combinação de soro e LED. Três horas depois, foram coletadas amostras
de sangue e músculo para a realização de ensaios de miotoxicidade, cortes
histológicos, RT-qPCR para avaliar a expressão gênica de microRNA-223 e ensaios
imunoenzimáticos para detecção de IL-1β. Outros grupos de animais foram
utilizados para avaliação de rolamento e adesão no endotélio vascular por
microscopia intravital e para análise do processo hemorrágico por indução de halo
na pele do dorso. Os resultados reafirmaram que a soroterapia, isoladamente, não
é eficaz no tratamento dos danos locais causados por acidentes ofídicos. Em
contrapartida, a fotobiomodulação com LED, seja isolada ou em combinação com o
soro, demonstrou ser capaz de diminuir a miotoxicidade, o dano tecidual, o influxo
leucocitário, o número de leucócitos em rolamento ou adesão no endotélio dos
vasos dos músculos inoculados, assim como a hemorragia na pele do dorso.
Quando aplicado isoladamente, o LED foi capaz de reduzir a expressão gênica de
microRNA-223, porém, nenhum dos tratamentos foi eficaz na redução dos níveis de
IL-1β in vivo. Concluiu-se, portanto, que o tratamento com LED, quando aplicado
isoladamente, reduz a miotoxicidade, a hemorragia, os danos teciduais e o influxo
de leucócitos para os tecidos, além de demonstrar potencial para a redução do
microRNA-223 in vivo. Ademais, a combinação entre o soro e o LED mostrou-se
igualmente eficaz.