Potencial inseticida do óleo essencial de Morinda citrifolia (Rubiaceae) e óleo vegetal de Carapa guianensis (Meliaceae) sobre diferentes estágios do ciclo biológico de Aedes aegypti (Diptera: Culicidae)
Adulticida; bioprospecção; larvicida; pupicida.
O mosquito Aedes aegypti é um artrópode vetor de viroses como a Dengue, a
Zika, a Chikungunya e a Febre Amarela urbana. Somente a Dengue e a Febre
Amarela possuem vacina como tratamento preventivo, sendo o controle vetorial
ainda uma forma de supressão das arboviroses e prevenção de novas
epidemias. Portanto, a descoberta de substâncias e suas aplicabilidades para o
controle de vetores é uma busca constante. Assim, o objetivo deste estudo foi
avaliar o efeito inseticida do óleo essencial e do óleo vegetal em diferentes
estágios de vida do Ae. aegypti. Utilizou-se o óleo essencial de fruto de Morinda
citrifolia (OE de noni) e óleo vegetal de semente de Carapa guianensis (OV de
andiroba) para avaliação da atividade ovicida (20 ovos/tratamento), larvicida (10
larvas L3/tratamento) e pupicida (10 pupas/tratamento) e adulticida por ingestão
de iscas açucaradas (20 fêmeas/tratamento), utilizando protocolo adaptado da
Organização Mundial da Saúde, em testes com concentrações variando de
1000; 750; 500; 250; 125; 50; 25; 10 e 5 ppm, controle de água destilada e álcool
etílico a 1% com três réplicas e três repetições com diferentes gerações. A
mortalidade dos diferentes estágios foi acompanhada de 24 a 72 h. Em geral,
não houve efeito ovicida para ambos os óleos, exceto para a maior concentração
de OE de noni testada. A atividade larvicida do OE noni resultou na CL50 (24 h)
90,1 ppm e CL90 (24 h) 146,1 ppm e causou 100% de mortalidade nas
concentrações 250 a 150 ppm nas primeiras 24 h; e OV de andiroba CL50 (24
h) 646,7 ppm e CL90 (24 h) 3048,3 ppm e 66,67% de mortalidade na
concentração de 250 ppm, 58,33% na concentração de 400 ppm após 48 h de
observação. A atividade pupicida do OE de noni resultou na CL50 387,6 e CL90
588,3 ppm e 82,22% de mortalidade na concentração 500 ppm e 64,44% em 450
ppm primeiras 24 h; e OV de andiroba em CL (24 h) 1460,02 e CL90 (24 h)
2701,7 ppm e causou 98,89 % de mortalidade na concentração 3000 e 2500 ppm
nas primeiras 24h. Não se observou atividade adulticida por ingestão de ambos
os óleos (OE de noni e OV de andiroba) nas concentrações testadas, mesmo
apresentando alto ingurgitamento. Conclui-se que ambos os óleos apresentaram
atividade inseticida para os estágios de larva e pupa de Ae. aegypti. A ingestão
de iscas açucaradas de ambos os óleos não causa mortalidade dos adultos nas
concentrações testadas independente do alto ingurgitamento.