Avaliação dos métodos PCR-RFLP e sequenciamento na identificação de Leishmania (Viannia) em área endêmica de leishmaniose tegumentar na Região Norte
Leishmania lindenbergi; Leishmania naiffi; diversidade genética.
A leishmaniose é uma doença infecciosa, não contagiosa, causada pelo parasito do gênero Leishmania. A Região Norte possui o maior número de casos de leishmaniose tegumentar (LT) no Brasil, sendo que no estado de Rondônia foram identificadas as sete espécies dermotrópicas desse parasito registradas no país. Contudo, a identificação de espécies de Leishmania ainda é um desafio para as rotinas laboratoriais. Nesse contexto, o presente trabalho busca avaliar a identificação de Leishmania spp. em amostras com perfil de restrição enzimática inconclusiva ou identificadas como L. guyanensis, empregando as abordagens de RFLP e análises de sequências nucleotídicas de uma região do gene hsp70. Para isso foram selecionados dois grupos de amostras de pacientes diagnosticados com LT pelo Laboratório de Epidemiologia Genética entre o período de 2012 a 2019, divididos em amostras identificadas por RFLP de L. guyanensis (grupo I) e amostras com perfil de restrição inconclusivo (grupo II). As amostras foram submetidas a PCR convencional para o alvo hsp70 de 234pb, e em seguida enviadas para plataforma de sequenciamento. Os ensaios de hsp70-PCR-RFLP foram realizados utilizando um painel de três enzimas de restrição (HaeIII, BstUI e MboI). Das 110 amostras selecionadas, apenas 66 apresentaram resultado positivo para PCR. Dessas, 30 amostras do grupo I e 36 amostras do grupo II. Ao analisar as sequencias obtidas foi possível identificar espécies de 100% das amostras utilizando o algoritmo BLAST. Analisando os resultados obtidos das duas técnicas, no grupo I, foram identificadas três espécies, sendo L. braziliensis, L. guyanensis e L. lindenbergi, enquanto no grupo II, foram identificadas cinco espécies, sendo elas L. braziliensis, L. guyanensis, L. amazonensis, L. naiffi e L. infantum. Em 13 amostras de 13 pacientes não foi possível a realização do hsp70-PCR-RFLP. Embora ainda sejam necessários mais estudos vinculando as espécies de Leishmania à resposta aos tratamentos e manifestações clínicas da doença, é recomendado a identificação de espécies a fim de definir o melhor acompanhamento e conduta terapêutica. Em regiões de grande biodiversidade como a Amazônia, a diversidade de espécies presente torna esta etapa essencial para o melhor entendimento da epidemiologia e prognóstico da doença. Os resultados obtidos nos demonstraram que tanto por RFLP quanto por análise dos nucleotídeos do alvo molecular deste estudo é possível a identificação de espécies de Leishmania registradas no Brasil. Apesar das limitações apresentadas, seja em termos de resolução ou de estrutura laboratorial, ambas abordagens podem ser utilizadas de forma complementar para a identificação das espécies de Leishmania avaliadas