DETECÇÃO DE ARBOVÍRUS EM MOSQUITOS (DIPTERA: CULICIDAE) DA
ÁREA URBANA DE PORTO VELHO, RONDÔNIA.
Palavras-chave: Cartão FTA, Saliva, Taxa de Infecção, Transmissão Vertical.
Os mosquitos possuem distribuição mundial, estando presentes em ambientes urbano,
rural e florestal. A urbanização sem planejamento favorece a proliferação e a
sobrevivência de vetores nas cidades. No Brasil as espécies de mosquitos urbanos que
se destacam são Aedes aegypti, Aedes albopictus e Culex quinquefasciatus. As três
espécies estão associadas à veiculação de diversos arbovírus, como os vírus Dengue,
Zika e Chikungunya e da Wuchereria bancrofti, agente etiológico da filariose linfática
no caso da última espécie. O objetivo geral do presente trabalho foi verificar a
abundância das três principais espécies de mosquitos e avaliar a possível ocorrência de
arbovírus em suas populações, na área urbana de Porto Velho, Rondônia. Inicialmente
foi realizado um estudo piloto no bairro Tancredo Neves com coletas peridomiciliares,
com a finalidade de aprendizado de técnicas de campo e de laboratório. Empregaram-se
duas técnicas amostrais: ovitrampa (sem palheta, somente para a coleta de larvas) e
aspiração elétrica para a captura de adultos com duração de 15 minutos. Os adultos,
gerados em laboratório a partir das larvas, estão sendo utilizados para verificação de
transmissão vertical de DENV, CHIKV e ZIKV. Os exemplares capturados pela técnica
de aspiração elétrica tiveram a saliva coletada para análise de presença dos referidos
vírus, bem como o corpo inteiro. As amostras estão sendo submetidas ao processo de
extração de RNA, seguido por PCR em tempo real. Os dados de abundância das
espécies foram analisados na Plataforma livre R. E a estimativa de infecção por vírus
nos mosquitos está sendo calculada pela Taxa Mínima de Infecção (MIR). No estudo
piloto foram coletados 1.701 mosquitos, dos quais 1.335 foram utilizados para a
detecção de vírus, resultando em 76 pools divididos entre duas espécies: Culex
quinquefasciatus e Aedes aegypti. Nas coletas realizadas nos nove bairros obteve-se um
total de 2.342 mosquitos, distribuídos em cinco espécies, constituindo 272 pools. As
espécies Cx. quinquefasciatus, Ae. aegypti e Ae. albopictus foram as mais abundantes.
Até o momento foram realizados ensaios de qPCR das amostras do estudo piloto (76
pools), sendo detectadas duas amostras positivas para o ZIKV.