CARACTERIZACÃO ESTRUTURAL E FUNCIONAL DE UM COMPLEXO ENZIMÁTICO ENTRE CATEPSINA D E UMA FOSFOLIPASE A2 DE BOTHROPS JARARACUSSU
Enzimas, catepsina D, fosfolipase A2, complexo enzimático.
A catepsina D (CatD) é uma enzima proteolítica lisossomal, expressa em quase todos os tecidos e órgãos. É uma enzima multifuncional responsável por importantes eventos proteolíticos para a regulação de processos biológicos como migração e diferenciação do ciclo celular, remodelação tecidual, crescimento neuronal, ovulação e apoptose. Sua superexpressão e hipersecreção foram correlacionadas com a agressividade do câncer e a progressão do tumor, estimulando a proliferação de células cancerosas, o crescimento de fibroblastos e a angiogênese. Além disso, alguns estudos relatam sua participação em doenças neurodegenerativas e processos inflamatórios. A busca por novos inibidores a partir de produtos naturais pode ser uma alternativa contra os efeitos deletérios da ação dessa enzima. Para isso, investigamos a interação de CatD com toxinas de veneno de cobra na tentativa de encontrar moléculas inibidoras. No entanto, foi observado que a CatD interage com as fosfolipases A2 (PLA2) em um complexo estável sem que sua atividade seja afetada por toxinas específicas ou inibidores (pepstatina A). A formação do complexo toxina-protease foi corroborada por ensaios de docking molecular e evidenciada por eletroforese bidimensional. As interações entre CatD e peptídeos sintéticos derivados de PLA2s também foram avaliadas a fim de verificar possíveis regiões de sequência que determinam a formação do complexo. Também foi realizado o isolamento e caracterização de uma protease (CatD), de fígado bovino. A separação da proteína foi realizada em filtro Amicom (Millipore) de 30 Da, 15mL. Posteriormente submetida a separação por cromatografia por afinidade e Fase reversa. A massa molecular aproximada foi determinada por eletroforese SDS-PAGE e o Ponto Isoelétrico determinado por eletroforese bidimensional (2D). Uma nova função desconhecida desta protease é demonstrada pela formação de um novo complexo enzimático (CatD / PLA2). Portanto, este trabalho descreve pela primeira vez a formação de um complexo enzimático entre uma protease lisossomal (CatD) e uma toxina de veneno de cobra (PLA2), de efeitos até então desconhecidos.