PERFIL ANTIMICROBIANO DA OCELLATINA KN SOBRE BACTÉRIAS ATCCS E CANDIDA ALBICANS, E AÇÃO CITOTÓXICA E IMUNOMODULADORA SOBRE MACRÓFAGOS MURINOS
Leptodactylus. Ocellatina-KN. In silico. In vitro. Perfil antimicrobiano. Imunomodulação.
crescente desenvolvimento de resistência antimicrobiana, e a diminuição da oferta de fármacos anti-infecciosos, despertam a necessidade de prospectar alternativas terapêuticas que sejam eficazes e seguras. Assim, como estratégia, os peptídeos antimicrobianos apresentam inúmeras vantagens, desde menor probabilidade de induzirem à resistência microbiana, potente e rápida ação microbicida em concentrações micromolares, capacidade de sinergismo, além de propriedades imunomoduladoras. Dentre estes, destacam-se os vastos peptídeos oriundos da pele de anuros, tais como a Ocellatina-KN, construída a partir da Ocellatina-K1, isolada da secreção de pele da Leptodactylus knudseni. Nesse contexto, o objetivo desse trabalho foi avaliar in vitro o perfil antimicrobiano de OKN frente às cepas ATCC de Staphylococcus aureus, Escherichia coli e Pseudomonas aeruginosa, e cepa ATCC da levedura Candida albicans, além de avaliar as características citotóxicas e imunomoduladora referente à produção de EROs, IL-6 e estímulo à fagocitose da OKN sobre macrófagos peritoneais murinos. As características físico-químicas e estruturais da OKN foram determinadas in silico, utilizando-se ferramentas de bioinformática. O potencial antimicrobiano e de inibição de biofilme (CIM e CIMB) de OKN, foi realizado pelo método de microdiluição em caldo, nas concentrações de 500 a 3,9 μg/mL. Com as mesmas concentrações anteriores, a citotoxicidade do peptídeo foi testada frente a macrófagos peritoneais de camundongos pelo método MTT, com incubações de 24 e 48 horas. Foi realizado ensaio de produção de EROs baseando-se em reação de fluorescência, com concentrações de OKN de 500 a 31,2 μg/mL. O sobrenadante (do ensaio de citotoxicidade) produzido em 6 horas, foi utilizado para dosagem da Interleucina 6 a partir do método imunoenzimático, com concentrações de OKN de 62,5 a 7,8 μg/mL. O ensaio de fagocitose foi conduzido utilizando partículas de zymosan opsonizadas utilizando concentrações de OKN de 125, 62 e 31 μg/mL. Os resultados foram analisados no software GraphPad Prism versão 6.0, realizando-se a análise de variância (One-Way ANOVA) com aplicação do Pós-teste de Tukey. Observou-se que a OKN possui discreta atividade contra as bactérias testadas, apresentando CIM de 125 μg/mL para as duas cepas gram-negativas (E. coli e P. aeruginosa) e 15,6 μg/mL para S. aureus; e nenhum efeito inibitório sobre C. albicans. A formação de biofilme de E. coli e P. aeruginosa foi discretamente inibida nas maiores concentrações (500 e 250 μg/mL) e notavelmente inibida para S. aureus e C. albicans em todas as concentrações (500 a 3,9 μg/mL). Sobre macrófagos peritoneais murinos, a OKN mostrou-se citotóxica em concentrações iguais e superiores a 125 μg/mL, e não estimulou a produção de EROs mesmo nas maiores concentrações testadas, porém, foi observado aumento na produção da citocina IL-6 na concentração de 62,5 μg/mL, além de aumentar a taxa de fagocitose pelos macrófagos em todas as concentrações avaliadas. Esses achados sugerem que OKN possui discreta atividade antimicrobiana, potencial antibiofilme e provável atividade imunoestimuladora sobre macrófagos murinos.