PAPEL DAS PLA2S ISOLADAS DA PEÇONHA DE Bothrops jararacussu SOBRE ATIVAÇÃO DO INFLAMASSOMA NLRP3 EM CÉLULAS MONONUCLEARES DO SANGUE PERIFÉRICO HUMANO
Bothrops jararacussu, PLA2s, PBMCs, inflamassoma NLRP3.
As fosfolipases A2 (PLA2s) são proteínas que se encontram em abundância na peçonha de serpentes do gênero Bothrops e apresentam um papel importante na reação inflamatória e na ativação leucocitária. Os monócitos e linfócitos são células do sistema imune caracterizadas por mediar e apresentar respostas eficazes no decorrer de uma resposta inflamatória. O inflamassoma NLRP3 é um complexo multiproteico que está presente nas células do sistema imune e é ativado por estímulos como padrões moleculares associados a patógenos (PAMPs) e padrões moleculares associados a danos (DAMPs). A ação das PLA2s frente às células mononucleares do sangue periférico humano (PBMCs) ainda não está bem elucidada. Nesse sentido o presente estudo teve objetivo de avaliar o papel da PLA2s (BthTX-I Lys49) ou (BthTX-II Asp49) de Bothorps jararacussu sobre ativação do inflamassoma NLRP3. Com isso foram realizados a partir de PBMCs humanos, testes de viabilidade no período de 4 horas por meio da marcação do DNA com 7AAD. Os resultados evidenciaram que nas concentrações de 5 e 10 μg/mL não houve morte celular. A expressão gênica de NLRP3, Caspase-1, ASC, IL-1β e GAPDH (controle interno) foi realizada por RT-qPCR. Além disso, a expressão proteica desses componentes (NLRP3, Caspase-1, ASC), da gasdermina D (GSDMD) e da β-actina (controle interno) foi verificada por Western Blot. Os resultados obtidos mostraram expressão gênica relativa significativa quando comparada ao controle GAPDH dos genes para NLRP3, ASC, Caspase-1 e IL-6 em 1 hora e, de IL-1β, no tempo de 2 horas. A expressão proteica foi realizada após 4 horas de estímulo das PBMCs e os resultados obtidos mostraram significativa expressão das proteínas do complexo inflamassoma NLRP3 e da GSDMD. Outro método de comprovação da ativação do inflamassoma NLRP3 foi a contagem de punctas formados pelo componente sensor NLRP3 por meio de imunoflorescência. Em seguida, para verificar a morte celular dependente da ativação de caspase-1, piroptose, foi realizada a dosagem de LDH no sobrenadante das PBMCs incubadas com os diferentes estímulos após 4 e 6 horas. A liberação de LDH ocorreu em 6 horas, bem como a expressão de GSDMD, sugerindo que a liberação dessa molécula ocorre devido a formação de poros na membrana, consequência da piroptose. Tomados em conjunto, os dados obtidos até o momento mostram que as PLA2s, BthTX-I e BthTX-II, isoladas do veneno de Bothrops jararacussu, ativam o complexo do inflamassoma NLRP3 culminando com a formação de poros na membrana através da GSDMD em PBMCS humano que contribuem para a resposta inflamatória observada nos envenenamentos por essa serpente.