Susceptibilidade de Leishmania (Leishmania) amazonensis aos antimaláricos: Uma alternativa para o estudo in vivo de reposicionamento de fármacos.
Leishmania (L.) amazonensis, antimalárico, leishmanicida, combinação de drogas.
As leishmanioses são doenças parasitárias endêmicas que preocupam a saúde pública brasileira. O estado de Rondônia é uma área de transmissão da doença com incidência média de 721 casos entre os anos de 2018 a 2022. A limitação dos tratamentos para essa doença, o aumento crescente da resistência e o insucesso terapêutico associado a algumas espécies são aspectos importantes que apontam para a urgência de novas drogas terapêuticas. O reposicionamento de fármacos com ação confirmada contra outros protozoários pode acelerar a descoberta de terapias alternativas para a leishmaniose, e ampliar o mercado do produto cuja descrição toxicológica já foi apresentada às autoridades reguladoras de medicamentos. Testes recentes in vitro anti-promastigotas e anti-amastigota de Leishmania, realizado pelo nosso grupo de pesquisadores, demostraram ação leishmanicida de alguns antimaláricos, o que resultou no delineamento deste estudo. O objetivo deste estudo é avaliar o perfil de susceptibilidade in vivo de Leishmania (Leishmania) amazonensis aos antimaláricos sozinhos ou em combinação com fármaco de referência anfotericina B. Com a infecção de camundongos Balb/c com o parasito foi possível verificar a carga parasitária da lesão das patas obtendo a dose efetiva para morte de 50% do parasito (DE50) da anfotericina B (0,63 mg/Kg), artesunato (3,13 mg/Kg) e cloroquina (27,29 mg/Kg). Com esses dados foi possível realizar combinações dos antimaláricos com anfotericina B, sendo que obtiveram resultados inversos, enquanto a combinação com artesunato ocorreu aumento da parasitemia, a combinação com a cloroquina ocorreu uma diminuição, está última apesar não houver uma cura total foi estatisticamente igual ao grupo naive. Neste estudo foi quantificada a dosagem dos metabólitos bioquímicos e das citocinas do soro através de kits comerciais. Ambos antimaláricos não demonstraram toxicidade na dosagem do DE50. Como resultado da quantificação destas citocinas, observou-se que o ATS teve uma resposta imunológica semelhante ao grupo infecção sem tratamento, no caso da CQ, apesar de apresentar atividade anti-inflamatória, foi eficaz em aumentar a produção de IFN-γ. As perspectivas deste estudo é ampliar as alternativas de formulações quimioterápicas e prever o uso racional de medicamentos, visando contornar as limitações existentes.