Caracterizacao molecular do virus Orthobunyavirus oropoucheense em pacientes com quadro febril agudo no estado de Rondonia e regiao de fronteira com o estado do Amazonas.
Oropouche; OROV; epidemiologia; filogenia
O vírus Oropouche - OROV, é caracterizado como um arbovírus reemergente e de grande preocupação para a saúde pública pela sua capacidade de rearranjo genético, e desde sua descoberta vem sendo responsável por diversos surtos de febre aguda identificados em países da América Central e Sul, com pelo menos 500.00 casos notificados. A região oeste da Amazônia é conhecida por surtos de doenças febris agudas, para as quais a falta de diagnósticos específicos para diferentes patógenos dificulta o manejo dos pacientes. O vírus OROV já foi registrado na região na década de 1990, este é o primeiro estudo, após esse registro, a realizar a detecção de OROV em indivíduos com doença febril aguda. Os relatos de incidência desse vírus são intrinsecamente favorecidos pelas condições ambientais e climáticas, que podem favorecer o aumento e distribuição da população do vetor para áreas de tráfego humano. Além disso, há um problema relacionado à falta de distribuição do diagnóstico específico estabelecido em triagens de rotina para arbovírus no Brasil. Assim, por meio de técnicas moleculares de RT-qPCR (Reverse Transcription quantitative Polymerase Chain Reaction) utilizado como metodologia de exclusão primária para Zika, dengue e Chikungunya, e avaliando perfis de coinfecções de OROV com outros arbovírus. Confirmou-se por sequenciamento em Sanger a circulação do vírus Oropouche no estado de Rondônia e fronteira. Foram identificados 20,99% (421/2006) casos positivos do OROV, com detecções de 1,43% (6/421) para coinfecções com dengue (sorotipos 1 e 2) circulando em localidades fronteiriças no oeste da Amazônia, entre amostras de soro, sendo 95,81% (366/382) da cohorte caracterizados como indivíduos infectados com sintomas relatados, principalmente febre, cefaleia, mialgia, e dor nas costas. Dentre as amostras positivas, foi possível obter um total de 3,40% (13/382) de amostras para análise dos segmentos S e M do Oropouche, que apresentaram semelhanças com sequências brasileiras. Assim, foi possível verificar a circulação do OROV em Rondônia e áreas fronteiriças, fortalecendo a vigilância genômica de vírus emergentes e reemergentes.