HETEROGENEIDADE TÉRMICA URBANA EM CONTEXTO AMAZÔNICO: ilhas de calor de superfície e zonas climáticas locais em Porto Velho (RO)
temperatura da superfície terrestre; sensoriamento remoto térmico; urbanização amazônica; infraestrutura verde
Cidades de médio porte localizadas na Amazônia estão sub-representadas na literatura sobre ilhas de calor urbanas de superfície (ICUS), contexto em que a combinação entre urbanização acelerada e clima equatorial tende a intensificar o aquecimento superficial. Este estudo analisou a dinâmica espaço-temporal da temperatura da superfície terrestre (TST) e sua relação com os padrões de cobertura e ocupação do solo no perímetro urbano de Porto Velho, Rondônia, entre 2015 e 2024. Foram utilizadas 68 imagens do Landsat 8 (Collection 2, Nível 2), obtidas via Google Earth Engine e processadas nos ambientes R e QGIS. Calcularam-se a TST e os índices espectrais NDVI, NDBI e MNDWI, e realizou-se o mapeamento das Zonas Climáticas Locais (LCZ) para 2015 e 2024 por meio do classificador Random Forest aplicado a composições multiespectrais do Landsat 8. As análises incluíram correlação de Pearson, teste de Kruskal-Wallis com post-hoc de Dunn e autocorrelação espacial pelos índices de Moran Global e LISA. Dez classes LCZ foram identificadas com acurácia global superior a 0,86 e coeficiente Kappa acima de 0,82 em ambos os anos. As classes construídas ampliaram sua participação de 60,9% para 64,9% da área urbana no período. As médias anuais de TST variaram entre 39,09 °C e 42,49 °C, com máximos superiores a 50 °C em todos os anos. A TST apresentou correlação negativa forte com o NDVI (r = −0,807), positiva forte com o NDBI (r = +0,833) e negativa moderada com o MNDWI (r = −0,399), padrão estável ao longo de toda a série. As classes de edificações compactas e superfícies expostas concentraram as maiores temperaturas, enquanto as classes vegetadas e hídricas registraram os menores valores, confirmando o papel moderador da cobertura vegetal sobre o aquecimento superficial e indicando que estratégias de arborização e infraestrutura verde constituem caminhos relevantes para o planejamento ambiental adaptativo de cidades amazônicas em expansão.