CIRCUITO ESPACIAL DE PRODUÇÃO E A AGRICULTURA FAMILIAR EM RONDÔNIA
Rondônia; Agricultura Familiar; Circuitos espaciais de produção.
O estado de Rondônia teve seu processo de formação socioespacial motivado, sobretudo, pelo governo federal a partir da década de 1970, quando para atender os interesses do mercado, cria-se na Amazônia projetos de integração desta região às demais regiões do país. Os projetos, que tinham como propaganda a distribuição de terras e o assentamento de agricultores familiares, também possibilitavam a atuação de grileiros e madeireiros na região, facilitando a abertura de novas terras para atender ao capital, além daquelas distribuídas oficialmente pelo Incra. Com estes projetos, a territorialização de pequenos produtores em Rondônia foi efetivada, configurando-se atualmente com uma herança dos projetos de colonização dirigida, representando a maioria dos estabelecimentos agropecuários do Estado, apesar de não ocupar a maior parte da área destinada a produção agropecuária. De toda forma, com a incorporação do território rondoniense por grandes empresas do agronegócio latifundiário produtor de commodities, tem-se estabelecido em Rondônia um discurso de fomento e valorização deste agronegócio, incluindo em uma mesma lógica a produção de commodities e a agricultura familiar. É verdade que esta segunda tem se demonstrado com grande capacidade de adequação aos interesses do mercado produtivo na incorporação técnica e adoção de novas práticas produtivas para comercialização de sua produção, porém, esta característica de adaptabilidade do agricultor familiar não lhe retira a condição de agente produtor que tem em sua propriedade não apenas o lugar de produção, mas o lugar de vida em conjunto à sua família. Considerando este conjunto de fatores defendemos neste trabalho a tese de que a agricultura familiar exerce importante papel na organização espacial em Rondônia, pois a partir de suas atividades produtivas, estruturam-se circuitos espaciais de produção que refletem a fluidez deste espaço, contrapondo-se à lógica do agronegócio latifundiário produtor de commodities. Assim, analisamos as diferenças conceituais entre agronegócio latifundiário e agricultura familiar, além da compreensão do conceito de circuito espacial de produção. Também revisamos o contexto histórico da formação socioespacial de Rondônia e seus reflexos na estrutura agrária e na organização das produções agropecuárias a partir das territorialidades de seus agentes. Por fim, analisamos dados e características dos principais circuitos produtivos da agricultura familiar em Rondônia, sendo eles: café, mandioca e pecuária bovina de corte e leite. Concluímos que a atuação da agricultura familiar fomenta importantes circuitos espaciais de produção em Rondônia, refletindo em transformações e introdução de novos objetos técnicos ao espaço, de forma que possibilite a circulação da produção, atendendo as necessidades e demandas de produtos em escalas locais, regionais, nacionais e até mesmo internacionais.