Dominação territorial, Violência e dinâmicas socioespaciais na bacia hidrográfica do rio Ituxi em Lábrea - Sul do Amazonas
Fronteira. Dominação territorial. Espaço amazônico. Violência agrária.
O rio Ituxi é um rio amazônico que corre na fronteira noroeste do Brasil, região pressionada pelo avanço de uma forma de ocupação e por um modelo de desenvolvimento que tende a exaurir recursos naturais como a água e a floresta pela expansão de campos de monocultura e extensas pastagens, transformando grandes parcelas de terras públicas em mero ativo financeiro incorporado à sociedade de mercado. A presente tese de doutorado teve como objetivo geral analisar o dispositivo da violência associado ao avanço da fronteira agropecuária sobre os territórios das populações tradicionais no sul do Estado do Amazonas, tendo como recorte espacial a bacia hidrográfica do rio Ituxi no município de Lábrea. Os objetivos específicos que a pesquisa buscou alcançar foram: (1) identificar os tipos de conflitos agrários que se destacam na Amazônia, tendo em vista o modelo de desenvolvimento retoricamente proposto para a região, bem como as políticas públicas implementadas nos últimos anos com incidência na área do estudo (2) categorizar os tipos de violência persistentes no recorte espacial do estudo relacionando-os aos tipos de violência prevalecentes nos períodos históricos anteriores e (3) entender como esses conflitos se manifestam a partir da disputa pela posse da terra, destacando as estratégias de lutas sociais e resistências territoriais dos povos e comunidades tradicionais frente a territorialização do capital. Como procedimentos metodológicos foi lançado mão de: pesquisa bibliográfica, com revisão teórica-conceitual no campo da geografia agrária e áreas afins, dentro do espectro das ciências humanas e da geografia crítica; análise documental, com foco em documentos históricos, estudos e diagnósticos centrados na região do estudo, além de análise de documentos eletrônicos e redes sociais; observação social, na fase de trabalho de campo, com registro em caderno de campo e diálogo informal com agentes sociais do território. Obteve-se registros visuais (fotos) por meio de câmara fotográfica acoplada em aparelho de telefone celular, além de coordenadas geográficas utilizadas na elaboração da cartografia temática, importante ferramenta analítica e meio para demonstração de resultados. Foi possível, dessa maneira, sistematizar os casos de violência agrária relacionados ao fenômeno estrutural do avanço da fronteira agropecuária sobre a região sul do estado do Amazonas, explicitando a condição periférica de zonas em processo de incorporação pelo capital, e revelando as dinâmicas territoriais que se impõem como expressões de colonialidade do poder na relação entre Estado e sociedade, as quais terminam em reproduzir a violência, extrema ou simbólica, utilizada no processo inicial de dominação e apropriação territorial nas fronteiras amazônicas.