A IN/EXCLUSÃO NO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM DE CIÊNCIAS NATURAIS NA PERSPECTIVA DE ESTUDANTES CEGOS E PROFESSORES DE ESCOLAS PÚBLICAS DE RONDÔNIA
Palavras-chave: Ensino de Ciências e Biologia; Estudantes cegos; In/exclusão escolar.
O processo de inclusão escolar de alunos com deficiência ganhou maiores contornos nas três últimas décadas, contudo, a tarefa de incluir efetivamente tem sido um grande desafio aos professores e a sociedade contemporânea. Considerando-se o aumento de estudantes com deficiências, matriculados em classes comuns de ensino, que segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP), ultrapassou dois milhões de matrículas em 2021, torna-se necessário o desenvolvimento de estratégias que visem garantir acesso pleno ao conhecimento científico a este público-alvo. Com base nesse contexto e, em linhas gerais, o presente estudo objetivou investigar por meio de narrativas, o processo de inclusão escolar e de ensino-aprendizagem de Ciências Naturais, vivenciados por três estudantes cegos e três professores, sendo dois de Ciências e um de Biologia, em três escolas de educação básica no interior de Rondônia, duas estaduais e uma da rede federal de ensino. Para tanto, estabeleceu-se uma abordagem de cunho qualitativo, do tipo história oral em sua vertente temática (Meihy e Holanda, 2019), cujo instrumento de coleta foi um roteiro semiestruturado que norteou as entrevistas, as quais foram transcritas, textualizadas, conferidas e validadas pelos participantes, constituindo o corpus de dados da pesquisa. Para analisá-lo recorreu-se a Análise Textual Discursiva (ATD) proposta por Moraes e Galiazzi (2006; 2016), da qual emergiram as seguintes categorias: trajetória pessoal e escolar; estratégias de ensino-aprendizagem; adaptações curriculares; percepções sobre o ensino remoto e atuação docente. Os resultados evidenciaram que a inclusão não vem sendo efetivada nas escolas pesquisadas, pois falta acessibilidade aos alunos cegos, tanto em âmbito arquitetônico quanto curricular e tecnológico. Constatou-se ainda a insegurança e insuficiência na formação inicial e continuada dos professores para atuarem com os alunos cegos; ausência de livros didáticos de Ciências em braile; bem como de outros recursos apropriados às necessidades dos estudantes cegos in/exclusão. Contudo, notaram-se esforços por parte dos professores em improvisar estratégias de ensino as aulas de Ciências, no intuito de possibilitar aos alunos cegos o direito de aprenderem junto às demais pessoas.