Banca de DEFESA: WERMITON TIAGO SANTOS SOLIDERA

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : WERMITON TIAGO SANTOS SOLIDERA
DATA : 05/12/2019
HORA: 14:00
LOCAL: Campus Universitário de Rolim de Moura - Sala 16
TÍTULO:

Caracterização do conhecimento indígena sobre os recursos pesqueiros da Terra Indígena Rio Branco


PALAVRAS-CHAVES:

Etnobiologia; Ictiofauna; Pesca artesanal, Bacia Amazônica.


PÁGINAS: 77
RESUMO:

O presente estudo foi realizado na Terra Indígena (TI) Rio Branco, situada no sul do Estado de Rondônia nos municípios de Alta Floresta d'Oeste, São Francisco do Guaporé e São Miguel do Guaporé. Na TI Rio Branco podem ser encontrados indivíduos pertencentes aos povos Aikanã, Arikapú, Aruá, Djereomitxí, Kanoê, Makurap e Tupari. O estudo tem como objetivo caracterizar o conhecimento tradicional dos pescadores indígenas da bacia do rio Branco, identificando a partir desse saber a diversidade e a dinâmica ecológica dos peixes na bacia do rio Branco, bem como as técnicas e os locais das atividades de pesca dos indígenas na TI Rio Branco. Foram realizadas visitas as aldeias para estabelecer uma socialização, e visitas aos locais de pesca, a fim de conhecer o ambiente e as técnicas utilizadas pelos indígenas. A pesquisa foi realizada com 35 Indígenas Pescadores de diversas aldeias e etnias, selecionados de acordo com a indicação dos próprios moradores, utilizado um questionário semiestruturado. Dos participantes da pesquisa 21 são moradores de aldeias que estão localizadas nas margens do rio Branco e tem acesso apenas por transporte fluvial, enquanto 14 indígenas são moradores das aldeias com acesso por estradas. Foi constatado que 68,5% dos indígenas pescam a mais de 20 anos no rio Branco e 85,6% tem mais de 25 anos idade. Os indígenas citaram 21 espécies como sendo as mais pescadas, dando destaque ao Pseudoplatystoma sp.(Pintado), citado por 34 vezes, seguido pela Prochilodus nigricans (Curimba) o Astronutus crassipinis (Cara-açu) o Cichla sp.(tucunaré) e a Serrasalmus sp. (Piranha) como as mais pescadas. Em relação à migração, observam-se dois fluxos, o primeiro, de setembro a novembro, relacionado à reprodução e o segundo, entre abril e maio, período de vazante, quando o volume de água está reduzindo. Observa-se uma diminuição na disponibilidade de peixes na bacia do rio Branco, sendo esse o principal impacto ambiental relatado pelos indígenas exceto Clossoma macropomum (tambaqui) e Serrasalmus sp (piranha) que tiveram suas populações aumentada, destacando o surgimento do Arapaima gigas (pirarucu). Os indígenas pescam menos de 20 horas semanais, capturando aproximadamente 20 quilos de peixes, em dias alternados. Os indígenas pescam no leito do rio, nas baias, nos campos alagados ou nos igapós, com linhadas, arco e flecha e o caniço, normalmente próximos as suas residências. As variações sazonais e anuais influenciadas pelos altos níveis das águas contribuem para o desenvolvimento da pesca pelos indígenas na bacia do rio Branco, assim de acordo com as mudanças sazonais, também ocorrem às mudanças nas espécies pescadas bem como na variação dos locais de pesca e formas de captura dos peixes. Algumas dessas espécies são mais apreciadas pelos indígenas como as espécies Astronutus crassipinis, Pseudoplatystom sp e Cichla sp, entretanto há espécies que são mais pescadas pela necessidade alimentar como, Serrasalmus sp. e Prochilodus nigricans. Os indígenas apresentam preocupação com a diminuição na disponibilidade de peixes e possível desaparecimento de algumas espécies na região, além de mostrar conhecimento sobre espécies invasoras e possíveis consequências relacionadas ao desequilíbrio dos ecossistemas aquáticos. Conclui-se que os indígenas conhecem os aspectos ecológicos da ictiofauna local, como processos migratórios, dispersivos, reprodutivos, alimentares e a composição de espécies de interesse alimentar. Demostram perceber os impactos ambientais que interferem na disponibilidade de peixes e praticam a pesca tradicional e de subsistência. A pesca é uma das atividades extrativistas mais importantes da bacia do rio Branco, sendo a principal fonte de proteína na alimentação dos povos indígenas, contribuindo ainda como parte da dinâmica familiar e social, através do qual os pais ensinam valores culturais que seguiram nas próximas gerações. Assim, essas informações pode cooperar com a promoção de futuros estudos sobre a biodiversidade de peixes do na bacia do rio Branco.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 2248433 - IZAIAS MEDICE FERNANDES
Interno - 2283698 - ELAINE ALMEIDA DELARMELINDA HONORE
Interno - 1798567 - PAULO VILELA CRUZ
Externo à Instituição - FERNANDO FERREIRA DE MORAIS - UFPB
Notícia cadastrada em: 21/11/2019 16:11
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