ESTUDO RETROSPECTIVO DA BIOACUMULAÇÃO DE MERCÚRIO EM MARSUPIAIS E ROEDORES : AVALIAÇÃO DA CONTAMINAÇÃO AMBIENTAL E IMPLICAÇÕES ECOLÓGICAS
Mamífero de pequeno porte terrestre, Impacto ambiental, Rio Madeira, metal pesado, garimpo
Este estudo teve como objetivo determinar a concentração de mercúrio em roedores e marsupiais coletados e resgatados no período de 2012 a 2017 entre Nova Mutum Paraná e Porto Velho na região de influência direta e indireta da UHE de Santo Antônio, Rondônia. A pesquisa visou analisar a bioacumulação de mercúrio em diferentes espécies de mamíferos de pequeno porte terrestre e a possível influência do ambiente sobre esses níveis de concentração. Para realizar a análise, foram selecionadas 69 amostras de pelos, sendo sete de indivíduos da ordem Didelphimorphia e 62 da ordem Rodentia, coletados da região dorsal entre as escápulas dos animais. As concentrações de mercúrio total (HgT) foram quantificadas por espectrofotometria de absorção atômica acoplada a um gerador de vapor frio. Para realizar a análise estatística foi utilizado o software R na versão 4.4.1. A estatística descritiva foi empregada em cada grupo para calcular a média, o valor mínimo, o valor máximo e o desvio padrão das concentrações de mercúrio obtidas nas amostras analisadas. Para avaliar a normalidade da distribuição dessas concentrações em cada grupo, foi aplicado o teste de Shapiro-Wilk. Nas amostras que não apresentaram distribuição normal, foi realizado o teste de Kruskal-Wallis, para identificar diferença significativa nas concentrações de mercúrio entre os espécimes analisados. Os resultados indicam que os roedores apresentam baixas concentrações de mercúrio com média de 0,08 mg.kg ¹, provavelmente, devido ao ⁻ seu posicionamento em níveis tróficos inferiores, sugerindo uma menor bioacumulação do metal. Por outro lado, dois indivíduos de marsupiais do gênero Marmosa (2,57 mg.kg ¹) e ⁻ Marmosops, (3,38 mg.kg ¹) apresentaram concentrações ⁻ mais elevadas de HgT. Dentro da ordem Rodentia, o gênero Nectomys obteve a maior concentração de HgT com 0,32 mg.kg ¹. A análise das concentrações de HgT ⁻ revelou que, em geral, os níveis observados foram relativamente baixos. Essa tendência de baixas concentrações pode ser atribuída ao fato dos roedores ocuparem níveis tróficos inferiores na cadeia alimentar. Para entender as variações nos níveis de HgT entre as espécies, é determinante examinar detalhes específicos. A dieta desempenha um papel importante na quantidade de mercúrio acumulado, marsupiais insetívoros podem ter maiores níveis de mercúrio quando comparados aos frugívoros e granívoros. Além disso, a interação entre o ambiente e a dieta dos animais é complexa, com a ingestão de alimentos contaminados refletindo nos níveis de mercúrio. Investigações sobre dieta e hábito desses animais na região são necessárias para compreender essas dinâmicas e desenvolver estratégias para proteger a fauna e a saúde humana.