Estudo da fenologia reprodutiva de uma população da espécie Cereus trigonodendron K. Schum. ex Vaupel (Cactaceae) na Amazônia Ocidental.
Ffenofases reprodutivas; flutuações climáticas; temperatura; botões florais; flores; frutos imaturos; frutos maduros.
O Cereus trigonodendron é uma espécie de cactaceae não endêmica, cuja ocorrência no Brasil está limitada ao estado de Rondônia (RO). Essa suculenta cresce sobre afloramentos rochosos e apresenta flores e frutos nas cores amarelas, rósea e vermelha respectivamente. O objetivo deste estudo foi verificar o efeito das variáveis climáticas e sazonais na fenologia reprodutiva dessa espécie. Realizou-se um acompanhamento mensal da produção de flores e frutos no período de maio de 2022 a maio de 2024. As observações foram divididas em quatro categorias: (1) botão floral, (2) flor aberta, (3) fruto verde e (4) fruto maduro. Dados climáticos, incluindo temperatura e precipitação, foram obtidos da Usina Hidrelétrica de Santo Antônio (UHE). As flores apresentaram antese noturna e até 27 cm de comprimento e os frutos com até 12 cm de comprimento. Observou-se que as fenofases reprodutivas do Cereus trigonodendron seguiram um padrão sazonal, variando conforme as flutuações climáticas sazonais. O total de frutos produzidos foi de 770 frutos (média mensal 64; mediana de 54) com maior produção entre os meses dezembro e fevereiro (média de 155 frutos/ mês) e pico de produção em janeiro (203 frutos) para o primeiro ciclo. No segundo ciclo foram observados 1296 frutos (produção média = 107/mês e mediana = 80 frutos). As maiores produções ocorreram entre outubro e março (média = 180 frutos/mês) com pico de produção em dezembro (301 frutos). O índice pluviométrico anual e temperatura média mínima foi de 2154 mm e 21,9 °C, com baixa variabilidade ao longo dos meses (desvio-padrão ≈ 0,8) e, 1522 mm e 23,1 °C, apresentando maior variação (dp ≈ 1,1), respectivamente para primeiro e segundo ciclo. A média da temperatura máxima observada foi de 31,3 °C e 32, 8 °C, respectivamente para o primeiro e segundo ciclos. Tais observação são sugestivas de que os meses de dezembro a fevereiro apresentam as melhores condições para a produção de flores e frutos, sendo a quantidade de frutos observada no segundo ciclo indicativa de haver correlação positiva para o regime pluviométrico e a variável temperatura. Essas são implicações importantes para o manejo e conservação da espécie em função das flutuações climáticas.