Mapeamento do Potencial de Bioeconomia da Copaiba em Comunidades Tradicionais: Um Estudo de Caso em Reservas Extrativistas Estaduais de Rondonia
Palavras-chave: Bioeconomia; Comunidades extrativistas; Cadeia produtiva; Copaifera spp.
As árvores de copaíba (Copaifera spp.), amplamente distribuídas na Amazônia, produzem uma oleorresina com propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias, antimicrobianas e cicatrizantes. Este óleo é utilizado nas indústrias de cosméticos, tintas, lubrificantes e na medicina tradicional. Apesar de seu potencial, o arranjo produtivo nas Reservas Extrativistas (Resex) de Rondônia é pouco estruturado, tornando essa bioeconomia invisível. Este estudo tem como objetivo mapear e descrever os aspectos ecológicos, produtivos e mercadológicos da extração e comercialização do óleo de copaíba por comunidades extrativistas em Rondônia. Foram entrevistados três grupos: G1 – extrativistas, G2 – comerciantes e G3 – órgãos de fomento. A pesquisa concentrou-se nas regiões de Machadinho do Oeste e Vale do Anari, abordando desde a coleta até a comercialização, com foco no conhecimento etnobotânico, práticas de manejo, processamento, armazenamento, estratégias de agregação de valor, aspectos culturais e análise FOFA (Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças). As coletas de campo ocorreram nas Resex Aquariquara, Castanheira e Rio Preto Jacundá, envolvendo 11 participantes (G1 – 5, G2 – 3, G3 – 3). A pesquisa também avaliou a contribuição econômica do óleo para as famílias locais e identificou oportunidades para fortalecer a bioeconomia amazônica por meio da valorização do conhecimento tradicional e da organização da produção. Os resultados indicam que o arranjo produtivo local da copaíba gera renda extra significativa para os extrativistas. Três variedades de árvores predominam: Mari-Mari, Angelim e Cuiarana, com produção média na primeira extração de 10, 40 e 20 litros, respectivamente. O valor comercializado varia entre R$70 e R$120 por litro, com vendas locais e para os estados de São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia. Em Machadinho do Oeste, a média de produção foi de 36 litros, gerando renda entre R$2.520,00 e R$4.320,00. Entre as práticas recomendadas estão a vedação do buraco com breu, filtragem do óleo para remoção de resíduos e armazenamento em galões limpos e opacos. O estudo também identificou fragilidades como ausência de manejo adequado, perda de áreas produtivas para o agronegócio e rede institucional frágil. Conclui-se que há viabilidade na produção do óleo de copaíba, mas é necessário maior organização comunitária e políticas públicas voltadas para assessoria técnica, crédito, fomento, práticas adequadas de manejo e rastreabilidade. Essas ações podem fortalecer a bioeconomia local, melhorar a qualidade de vida dos envolvidos e valorizar a floresta em pé. O projeto ainda pretende expandir a análise para outras duas Resex: Pacaás Novos e Rio Cautário, visando consolidar os dados e ampliar o impacto da pesquisa.