Atividade imunomoduladora da pariparóba (Pothomorphe umbellata) no tambaqui (Colossoma macropomum)
Piscicultura; plantas medicinais, imunidade, imunoestimulantes, fitoterápicos
A piscicultura no Brasil, consolidou-se como uma importante atividade do agronegócio brasileiro, e em 2026, a produção nacional de peixes de cultivo alcançou 1.011.540 toneladas, destacando-se o tambaqui (Colossoma macropomum), principal espécie nativa produzida no país, responsável por 257.070 toneladas, colocando o estado de Rondônia em posição de destaque como o principal produtor da espécie, responsável por 55.880 toneladas. Porém, a sanidade aquática continua sendo um entrave na produção, sendo utilizadas diversas substâncias com uso off label para o controle de microrganismos, impactando negativamente o ambiente onde são produzidos e, com ele, o risco da saúde humana. Devido a isto, a fim de buscar alternativas, têm-se estudado o uso de imunomoduladores na piscicultura. Dentre as plantas com este potencial está a pariparoba (Pothomorphe umbellata), amplamente utilizada na medicina tradicional e com potencial imunoestimulante. Devido à necessidade de alternativas à utilização de quimioterápicos na piscicultura e ao potencial da pariparoba, o presente estudo buscou avaliar a atividade imunomoduladora mediante a suplementação das folhas de pariparoba no tambaqui, avaliando a hematologia, histopatologia e imuno-histoquímica na inflamação aguda. Para tal, foram testadas quatro concentrações de suplementação utilizando as folhas da planta, adicionadas à ração comercial e fornecidas diariamente aos animais durante trinta dias. Após este período, desafiaram-se os grupos, amostras de sangue e tecidos hepático, esplênico e renal foram coletados nos tempos 12, 24 e 48 horas. Com relação aos índices hematimétricos, não houve alteração significativa no RBC, Ht, VCM, CHCM e HCM em nenhuma das concentrações testadas. Na atividade leucocitária na suplementação 1%, observou-se menor contagem nos tempos avaliados, sugerindo efeito anti-inflamatório. Nos grupos 2, 3 e 4, não se observou diferença em relação ao controle positivo (p<0,05). Na análise dos fagócitos, após as 48 horas, observou-se redução da atividade em todos os tratamentos analisados, com destaque nos tratamentos 1, 2 e 3%, sugerindo que doses inferiores de suplementação apresentam melhor imunomodulação. Na análise histopatológica do baço, fígado e rim posterior, não foram observadas alterações que comprometessem o funcionamento orgânico. O percentual de imunomarcação da citocina IL-10, demonstrou resposta dependente do tempo e do percentual de suplementação, sendo observado maior imunomarcação após 24 e 48 horas da indução inflamatória. No iNOS, o fígado foi o órgão que apresentou maior marcação em todos os tempos (p<0,05), seguido pelo rim e baço. Os resultados indicam que a suplementação com folhas de pariparoba nas concentrações testadas, foi capaz de alterar a expressão leucocitária, atividade fagocítica e expressão de IL-10 e iNOS, sem causar alterações nos índices hematimétricos, eritrocitários e histológicos. A suplementação de 1 a 2% das folhas de pariparoba durante trinta dias, se mostrou mais eficaz na regulação do processo inflamatório induzido, sem alteração tecidual deletéria.