CARACTERIZAÇÃO QUÍMICA E ATIVIDADE
ANTIPROTOZOÁRIA IN VITRO DO ÓLEO ESSENCIAL DE Morinda citrifolia
Plantas medicinais, malária, cromatografia gasosa, espectrometria de massas, noni.
Atualmente os antimaláricos existentes apresentam, sem exceção, alguma limitação, seja pela resistência do Plasmodium falciparum a cloroquina e outros derivados quinolínicos, ou as associações medicamentosas de artemisinina e seus derivados que apresentam um elevado custo de produção, e dificultam sua utilização em regiões em desenvolvimento, tornando seu arsenal profilático e terapêutico bem restrito. A resistência dos parasitos aos medicamentos antimaláricos é um problema mundial exigindo a pesquisa constante de fármacos mais potentes e as plantas com sua enorme produção de metabólitos secundários apresentam-se como fonte de compostos bioativos. Os principais antimaláricos do mercado são de origem natural como artemisinina e a quinina, dessa forma, diante da importância e necessidade de se encontrar novos tratamentos e dados os potenciais usos de Morinda citrifolia, o presente estudo busca investigar a atividade antimalárica de seu óleo essencial (OE). A caracterização química dos OEs foi realizada por cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas e a identificação dos compostos foi feita por meio de análise comparativa dos espectros de massas obtidos com os disponíveis na biblioteca NIST. Foram identificados 19 compostos, sendo o ácido octanóico o composto majoritário. A atividade antioxidante do óleo foi analisada, utilizado o método de radical livre DPPH (2,2-difenil-1-picril-hidrazil), e revelou variação de 44,78 a 48,99 %, nas 8 concentrações testadas entre 0,01953 e 2,5 % (v/v). Para avaliação da atividade antimalárica, os óleos essenciais foram submetidos a testes in vitro com Plasmodium falciparum, encontrando IC50 de 0,083 μg/mL. Para investigação da citotoxicidade dos óleos essenciais de M. citrifolia realizou-se ensaios utilizando o teste de resazurina, obtendo uma CC50 de 1,25 μg/mL O índice de seletividade dos OEs foi determinado através da razão da atividade citotóxica em relação à atividade antimalárica, sendo este 15,06, desta forma, o OE de M. citrifolia apresentou boa seletividade para células parasitadas com P. falciparum . Tendo como perspectiva para o presente estudo, a realização de novos testes com outra linhagem celular, testes in vitro, e posteriormente o isolamento de seus compostos bioativos para avalia-los como potencial droga antimalárica.