Relacao entre o desmatamento e variacoes na dinamica pesqueira das especies frugivoras desembarcadas no mercado pesqueiro de Porto Velho
Pesca; Degradação; Peixes Frugívoros; Rio Madeira; Amazônia.
A pesca no rio Madeira é fundamental para a região, destacando-se pela captura de Characiformes e Siluriformes migradores, especialmente frugívoros, que dependem da floresta alagável e são vulneráveis ao avanço do desmatamento na Amazônia. Este estudo tem como objetivo identificar as espécies frugívoras de maior importância comercial, avaliar sua dinâmica pesqueira entre 2004 e 2019 e analisar a influência da perda de vegetação nos desembarques. Foram realizadas análises de CPUE, testes estatísticos (Shapiro-Wilk e regressão linear múltipla) com dados históricos, além de entrevistas com pescadores experientes para compreender as mudanças no ambiente e na pesca. Entre 2006 e 2021, a bacia do Madeira perdeu 130.957 km² de floresta (16,5%) e 25.192 km² de floresta alagada (8%), resultando em uma redução de 70% nas capturas de cinco espécies frugívoras. Observou-se uma correlação negativa significativa entre o desmatamento e a CPUE dessas espécies. A sardinha (Triportheus spp.) e o tambaqui (Colossoma macropomum) apresentaram variações na biomassa capturada, impactadas por hidrelétricas, desmatamento e mudanças no fluxo hídrico. Entrevistas com 51 pescadores de comunidades ribeirinhas revelaram que, a montante da usina, os principais impactos incluem mortalidade de plantas e contaminação da água, enquanto, a jusante, foram relatadas redução do fluxo e dificuldades de migração dos peixes. A preservação das florestas de várzea, a adoção de práticas pesqueiras adaptadas e a integração do conhecimento tradicional com a ciência são essenciais para a gestão sustentável da pesca, a conservação dos ecossistemas e a proteção das comunidades locais.