VIABILIDADE ECONOMICO-FINANCEIRA DE SISTEMAS AGROFLORESTAIS BASEADOS NO ACAIZEIRO
Modelos de uso da terra sustentáveis; Amazônia; Sustentabilidade; Cadeia produtiva
Este estudo analisou a viabilidade econômico-financeira de quatro arranjos de sistemas agroflorestais (SAFs) baseados no açaizeiro em Rondônia, com o objetivo de subsidiar a adoção de modelos produtivos que conciliem a recuperação ambiental com a geração de renda. Para isso, a metodologia empregou uma análise financeira em que foram obtidos custos de implantação reais e coeficientes técnicos dos sistemas, e foram realizadas projeções de dados produtivos e gastos futuros das espécies ao longo de um horizonte de 20 anos (2025-2045), utilizando referências da literatura e consultas técnicos. Indicadores financeiros como Valor Presente Líquido (VPL), Taxa Interna de Retorno (TIR), Valor Anualizado Equivalente (VAE), Relação Custo-Benefício (C/B), Payback e Remuneração da Mão de Obra Familiar (RMOF) foram calculados, aplicando uma taxa de desconto anual de 6%. Os arranjos avaliados incluíram o açaizeiro consorciado com castanheira, café e mandioca (SAF 1); açaí, cacau, banana e mandioca (SAF 2); açaí, andiroba e mandioca (SAF 3); e açái, cupuaçu, banana e mandioca (SAF 4). Os resultados demonstraram que todos os SAFs apresentaram viabilidade econômico-financeira positiva, com VPL superior a zero, TIR acima da taxa mínima de atratividade e payback inferior a seis anos. O SAF 2 destacou-se como o mais promissor, registrando a maior receita anual média (R$ 60.941,45), lucro bruto anual médio (R$ 30.795,58) e VPL (R$ 2.000.420,76), além de um payback de 4,35 anos, atribuindo seu sucesso à diversificação equilibrada entre espécies de ciclos curtos e longos, o que proporcionou retornos consistentes e maior resiliência financeira. O SAF 1 exibiu um bom desempenho inicial, contudo, a retirada do café no longo prazo pode impactar o fluxo de caixa. O SAF 3 e o SAF 4 apresentaram indicadores de desempenho mais modestos, com o SAF 3 sendo o de menor atratividade e o SAF 4 obtendo o menor lucro bruto médio, apesar de um payback rápido. Conclui-se que a implantação de sistemas agroflorestais é economicamente atrativa em Rondônia em áreas com características semelhantes à área estudada. A seleção do arranjo mais adequado deve considerar não apenas a lucratividade, mas também a sustentabilidade produtiva no longo prazo, os interesses do produtor e a sua capacidade de manejo.