ESTAMOS PLANTANDO FLORESTAS OU APENAS ÁRVORES? UM NOVO OLHAR FUNCIONAL SOBRE O SUCESSO DA RESTAURAÇÃO NA AMAZÔNIA
Restauração Ecológica. PySEBAL. Random Forest. Indicadores Biofísicos. Heterogeneidade Espacial.
A restauração ecológica na Amazônia enfrenta o desafio de transcender a recuperação estrutural e garantir o restabelecimento dos processos funcionais. Este estudo avaliou o sucesso da restauração na Floresta Nacional do Bom Futuro (RO), analisando especificamente sete áreas distintas submetidas a diferentes técnicas, como plantio total de mudas, semeadura direta e condução da regeneração, implementadas em períodos variados entre 2014 e 2022. A metodologia integrou séries temporais do algoritmo PySEBAL, de 2013 a 2025, para estimativa de indicadores biofísicos e modelagem preditiva via Random Forest para construção de cenários contrafactuais. A análise cronosequencial pixel a pixel revelou uma tendência de declínio na produção de biomassa na unidade, influenciada por eventos climáticos extremos como o El Niño. O modelo Random Forest demonstrou alta robustez para a estimativa de Produção de Biomassa (R2=0,95), mas evidenciou notável heterogeneidade espacial nas respostas. Dentre as áreas avaliadas, apenas a Área 5 apresentou mediana positiva, refletindo valores ligeiramente superiores aos do cenário de referência para produção de biomassa, enquanto intervenções mais antigas, como nas Áreas 1 e 7, apresentaram desempenho funcional inferior ao cenário contrafactual. Conclui-se que, embora o sensoriamento remoto detecte trajetórias de recuperação, as limitações na modelagem de certas variáveis e a variabilidade dos resultados locais exigem cautela na interpretação do sucesso restaurativo.