Avaliação e Padronização de Testes de Óleos Amazônicos com Atividade de Repelência ao Principal Vetor da Malária na Região Norte do Brasil (Anopheles darlingi).
repelentes naturais; prevenção; malária.
O Anopheles darlingi é o principal vetor da malária na região amazônica, um mosquito hematófago, altamente antropofílico e suscetível aos plasmódios humanos. A malária é uma doença que afeta milhões pessoas no mundo e pode resultar em altas taxas de morbidade e mortalidade, principalmente em áreas endêmicas. Por isso, estratégias para auxiliar no controle e prevenção são importantes. O uso de repelentes é uma das principais formas de proteção contra picadas de mosquitos. Porém, os repelentes de origem sintética têm se mostrado tóxicos para o ser humano, além de causar danos ecológicos. Nesse contexto, a biodiversidade amazônica oferece um grande potencial biotecnológico para o desenvolvimento de repelentes naturais. Este estudo avaliou a ação repelente de dois óleos amazônicos, Carapa guianensis (andiroba) e Copaifera multijuga (copaíba), contra mosquitos da espécie de An. darlingi, determinando a concentração efetiva e o tempo de proteção. Os mosquitos utilizados foram obtidos da Plataforma de Produção e Infecção de Vetores da Malária (PIVEM) da Fiocruz-RO, enquanto os óleos foram obtidos de uma reserva agroextrativista da região da Amazônia. Os testes de irritação realizados com o método “Hen’s Egg Test Chorionallantoic Membrane”, indicaram que os óleos não apresentaram efeitos irritantes. Os bioensaios de repelência mostraram que tanto o óleo de andiroba quanto o óleo de copaíba possuem atividade repelente de 100% em suas formas quase puras. O óleo de andiroba apresentou uma dose efetiva de ED50 de 0,54 mg/mL (54%) e ED99 de 0,89 mg/mL (89%), enquanto o óleo de copaíba teve uma ED50 de 0,60 mg/mL (60%) e ED99 de 0,75 mg/mL (75%). Em relação ao tempo de proteção para ambos os óleos foi curto, porém o óleo de andiroba se destacou por apresentar um tempo de proteção, com uma duração de 120 minutos, quanto o óleo de copaíba ofereceu proteção de 60 minutos. Após os bioensaios de repelência, foram desenvolvidas nanopartículas de quitosana carregadas com óleo de andiroba, com o objetivo de prolongar o tempo de proteção repelente da andiroba. A produção dessas nanopartículas de quitosana foi realizada por um método de duas etapas, primeiramente uma emulsão óleo-em-água e em seguida gelificação iônica com tripolifosfato pentassódico. As nanopartículas resultantes apresentaram uma eficiência de encapsulamento de 66,08% e 75,91% nas concentrações de 0,12 mg/mL e 0,25 mg/mL, respectivamente, com diâmetro médio entre 12,50 nm e 378,50 nm e com o potencial zeta na faixa de +38,40 mV a +65,70 mV. Os óleos amazônicos demonstraram potencial como repelentes naturais e podem ser uma alternativa sustentável aos repelentes sintéticos. Contudo, é necessário desenvolver formulações que potencializem sua eficácia, visando repelentes de longa duração, seguros para uso humano e ecologicamente corretos. A padronização de testes de repelência com óleos da Amazônia ainda está em desenvolvimento para apresentação dos dados.